14/10/2021 às 08h00min - Atualizada em 14/10/2021 às 08h00min

Ideais, conquistas e superação

IVONE ASSIS
Em outubro, comemora-se o Dia das Crianças, o Dia do Professor e o Outubro Rosa. São três importantes acontecimentos que todos os dias mudam o curso da história. Relacionados entre si, o Outubro Rosa enfatiza a prevenção contra o câncer de mama, esta que é fonte de alimentação das crianças; o Dia das Crianças, apesar de estar atrelado ao consumo de brinquedos, o que não deixa de ser um bem-estar para a criança, esta é a data da aprovação da Declaração Universal dos Direitos da Criança (1959); quanto ao Dia do Professor, ainda que dispense explicações, laureia esse ser incrível, que passa (talvez) mais tempo com os olhos e o pensamento grudados na criança do que os próprios pais. O professor é um contínuo ensinador de conteúdo, logo, é um preparador técnico de pessoas para a vida.
 
Nesse sentido, eu gostaria de mencionar o brilhantismo do professor de matemática, da educação básica, Greiton Toledo, de Ipameri-GO, o qual está entre os 50 concorrentes do disputadíssimo prêmio de US$ 1 milhão, do Global Teacher Prize, uma espécie de “Nobel da Educação”, por seu projeto Mattics, de 2015, aplicado em uma escola de Senador Canedo / Goiânia-GO, em que os alunos criam jogos digitais e dispositivos eletrônicos sustentáveis, por meio da matemática, cuja programação e robótica estão aptas ao tratamento dos sintomas da doença de Parkinson. Contudo, devido ao curto espaço da coluna, vou citar um recorte de texto de Cecília Meireles, a qual, no “Diário de Notícias”, de 12/06/1930 a 12/01/1933, escreveu a coluna diária “Comentário” (em que postava entrevistas e comentários), publicada na “Página de Educação”, muito embora, por uma falha do jornal, ou por outra política da época, a coluna não conste a assinatura de Cecília, conforme se observa no texto “Qualidades do professor”, de 10/08/1930, página 7, cujo texto mencionarei parte, para ilustrar minha temática:
 
“Se há uma criatura que tenha necessidade de formar e manter constantemente firme uma personalidade segura e complexa, essa é o professor. Destinado a pôr-se em contato com a infância e a adolescência, nas suas mais várias e incoerentes modalidades, tendo de compreender as inquietações da criança e do jovem, para bem os orientar e satisfazer sua vida [...]. Ser ao mesmo tempo um resultado [...] da época, do meio, da família, com características próprias, enérgicas, pessoais, e poder ser o que é cada aluno, descer à sua alma, feita de mil complexidades [...] e estimular-lhe o poder vital e a capacidade de evolução. [...] E ter coração para se emocionar diante de cada temperamento. E ter imaginação para sugerir. E ter conhecimentos para enriquecer os caminhos transitados [...]. Saber ser poeta para inspirar.
 
Quando a mocidade procura um rumo para a sua vida, leva consigo, no mais íntimo do peito, um exemplo guardado, que lhe serve de ideal. Quantas vezes, entre esse ideal e o professor se abrem enorme precipícios, de onde se originam os mais tristes desenganos e as dúvidas mais dolorosas! Como seria admirável se o professor pudesse ser tão perfeito que constituísse, ele mesmo, o exemplo amado de seus alunos! E, depois de ter vivido diante dos seus olhos, dirigindo uma classe, pudesse morar para sempre na sua vida, orientando-a e fortalecendo-a com a inesgotável fecundidade da sua recordação”. (MEIRELES, Diário de Notícias, 10/08/1930, p. 7).
 
Ao lado, nesta mesma edição do jornal, Gerardo Seguel publica a coluna “A imagem da infância na criação artística”, a qual ele abre citando um trecho de Domingo Barnés, pedagogo e ministro da Educação na Espanha do período republicano: “A vida está tecida de sonhos e muitos destes sonhos foram sonhados na infância. A criança espreita para reviver no homem enfraquecido; no homem melancólico ou nostálgico; no homem cansado; quando sobrevém o medo e também quando florescem sentimentos novos e florações juvenis”.
 
Assim, diariamente, a Mulher, o Professor, e a Criança refletem ideais, conquistas e superação.

*Este conteúdo é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.
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