21/06/2017 às 15h54min - Atualizada em 21/06/2017 às 15h54min

Minissérie: Justiça

KELSON VENÂNCIO | COLUNISTA
Foto: Rede Globo/Divulgação

 

A Rede Globo vem investindo nos últimos anos em séries que se distanciam do modelo “novela” e com isso nos presenteando com ótimas produções. Foi assim com "Amores Roubados", "Felizes para sempre" e "Justiça". Isso comprova que a emissora é capaz de ir muito além do tradicional, já que possui uma ótima estrutura de captação de imagens e edição e um batalhão de ótimos profissionais tanto na frente quanto por trás das câmeras.

Escrita por Manuela Dias, com colaboração de outro roteiristas e com direção de José Luiz Villamarim, "Justiça", já disponível em DVD, é uma série sem um protagonista definido, retrata diferentes tramas contadas de forma isolada, mas que se cruzam constantemente durante os capítulos. E esse é um dos principais atrativos da série que logo nos primeiros episódios prende a atenção do público por causa de sua narrativa empolgante e curiosa. É como se estivéssemos assistindo quatro minisséries separadas dentro de uma só, porém cada uma complementando a outra de forma inteligente e atrativa.

Pra que isso acontecesse sem que houvesse furos no roteiro e erros de continuidade, o trabalho tanto na narrativa quanto na direção teve de ser minucioso, bem amarrado e extremamente detalhista. E isso, com certeza, eles souberam fazer com maestria.

O trabalho de direção é uma aula de cinema à parte e capaz de dar inveja a inúmeras produções hollywoodianas que já vimos. Em histórias e episódios diferentes, temos a oportunidade de assistir o que acontece de ângulos opostos, na perspectiva do outro personagem que no capítulo anterior era um mero coadjuvante e na mesma cena passa a ser principal noutro capítulo.

O que é justiça pra você? Com essa pergunta, os produtores da série desmistificaram as respostas mais óbvias que nos vêm à mente. Com a trama que sai bastante do comum, pudemos perceber que justiça nem sempre é a vingança, mesmo quando o sistema judiciário é falho como o do Brasil.

Mas de nada adianta uma boa direção e uma história bem contada se o elenco não funciona bem. E nesse caso também temos atores atuando de forma brilhante e que até esquecemos que muitos são aqueles mesmos das novelas. Em "Justiça" não há ninguém que não atua bem. Mesmo os coadjuvantes e os atores mirins arrasam no trabalho que fazem. Mas por causa dessas atuações, os episódios preferidos pela nossa equipe, foram os exibidos às terças-feiras. A história que envolve os personagens de Adriana Esteves (Fátima) e Enrique Díaz (Douglas) foi sem dúvida a melhor. Estes dois atores foram fantásticos nestes papéis. E para completar tivemos em volta deles outros profissionais que acrescentaram e muito à trama, como é o caso de Leandra Leal que fez de Kellen a melhor atuação da carreira dela.

O único ponto negativo de "Justiça" foi a tentativa de criar um romance absurdo entre Elisa e Vicente (Débora Bloch e Jesuíta Barbosa). Foi muito difícil engolir um caso de amor entre o genro assassino e a sogra que perdeu a filha. Mas não duvido que isso possa acontecer na vida real. Porém acredito que não precisava ter sido assim.

Nota 8

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