10/08/2021 às 08h00min - Atualizada em 10/08/2021 às 08h00min

Quadrinhos e outras artes

LUCIANO FERREIRA
Em 2007, o cartunista brasileiro Luiz Gê, desenhou a HQ “Borba Gata’’ na superfície de um manequim, fazendo que o leitor percorra o esbelto corpo de plástico, para acompanhar o desenvolvimento da história. Assim como Gê, artistas como Tuna Dunn e Moacir Cirne, dialogam e se apropriam dos quadrinhos para construir peças onde a narrativa sequencial e estética típica dos quadrinhos, interaja com outras formas de arte.
 
Na observação de obras com essas características, também percebe-se o aproveitamento de elementos que elas têm em comum, explorando potencialidades de narrativa, representação gráfica, o uso de suportes diferenciados para o registro das histórias e outras formas de expressão artística, como sólidos, escultóricas e video-arte. 
 
Mas para além da noção dos quadrinhos como puro entretenimento, essa mistura de quadrinhos e artes, é também um convite para conhecer a relação entre a História da Arte e das Histórias em Quadrinhos, identificar procedimentos técnicos e processos criativos, dando ênfase à criação de histórias em quadrinhos em suportes diferenciados, imagens na internet e métodos tradicionais de narrativa em quadrinhos.
 
Aqui em Uberlândia, ações com oficinas de quadrinhos tem abordado os métodos de produção de quadrinhos e estimulado os participantes a refletirem e produzirem quadrinhos utilizando suportes não convencionais ou técnicas mais familiares às Artes Visuais, como nas oficinas ligadas ao site
HQ Além do Papel.  
 
Considerando o cenário da cidade em relação a essas duas formas de arte, ampliar os laços entre as 2 linguagens artísticas, é sinônimo de difundir e  democratizar meios e métodos de produção
 
Estimular a diversidade de produção artística e aproveitar o interesse que  quadrinistas uberlandenses e uberlandinos, obtiveram por meio de premiações e notícias, como no caso dos quadrinistas Alexandre Carvalho e Rainer Peter, que recentemente colocaram a cidade no mapa das produções de primeira linha em quadrinhos.
 
Autor do site Charges.com e chargista há duas décadas, Maurício Ricardo é um exemplo onde a mistura de quadrinhos e outras artes se mostrou bem sucedida, pois se hoje seu trabalho tem mais características de animação tradicional, por conta da evolução técnica e dos recursos, a fase inicial de suas charges animadas relacionava a estética e a técnica de charge convencional com métodos próprios do desenho animado, como se pode ver nas charges exibidas durante a entrevista do cartunista ao talk show de Jô Soares, em 2002.
 
A paródia musical, os enquadramentos típicos de charges estáticas e as animações de recortes, acabam por formar um terceiro elemento, que no início de dos anos 2000, foi chamada de charge animada, sugerindo um misto de charge tradicional ( gênero vindo dos quadrinhos ) e animação ( gênero vindo do Cinema), colocando Maurício na vanguarda da inventividade artística.
 
Os exemplos citados aqui, são contraditórios entre si,  mas isso demonstra que o potencial da fusão de quadrinhos com outras artes, é algo muito potente e com capacidade de se auto-sustentar como linguagem e como negócio.
 
Os quadrinhos tradicionais de papel, sempre estarão nos nossos corações e mentes, mas dar uma chance para produções diversificadas, pode unir o útil ao agradável.

Esta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.
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