11/05/2021 às 08h00min - Atualizada em 11/05/2021 às 08h00min

Quadrinhos e Poder

LUCIANO FERREIRA
Ilustração: Luciano
Não são raros os casos onde a reputação ficcional ou o simbolismo de um personagem é abertamente utilizado para finalidades políticas e institucionais. Podemos citar aqui o exemplo do Exército norte-americano, que utilizou a popularidade e a imagem do Capitão América para estimular o alistamento de jovens nas forças armadas, chegando a comprar lotes inteiros da publicação, para distribuir aos seus soldados, a fim de inspira-los e levantar a moral da tropa.

Consideramos que essa relação entre quadrinhos e poder político, não só conduz à propagação de elementos artísticos convencionais, como tratar personagens enquanto ‘’mascotes’’ de determinados grupos, mas tem ajudado a articular conceitos dentro de campos de atuação diversificados, como questões de representatividade e apelos subliminares ao consumismo e propaganda. Quando analisados em um conjunto cronológico, temático e estético, podemos encontrar eventos quadrinísticos que sugerem terem sido criados para influenciar condutas, apresentando alternativas de modelos comportamentais.

Modelos esses que pelo histórico apresentando, sugerem que a interação entre quadrinhos e outros elementos de cultura de massas, podem provocar transformações de diversos tipos, notadamente aqui, transformações dentro da atuação social e política.
As ponderações dos parágrafos anteriores, se referem de forma geral aos quadrinhos pré-internet, porém hoje há publicações online que buscam criar personagens e universos que mobilizem uma parcela da sociedade para finalidades diversas. 

Quadrinhos com engajamento social, que divulgam valores conservadores, que relatam as vivências de pessoas que não tem voz ou vez na mídia… é uma lista longa e não cabe agora dar um olhar individual para essas publicações, pois são universos amplos e frequentemente contraditórios, que merecem um olhar mais meticuloso e cuidadoso.

Cabe também analisar de forma embasada, quais são os elementos que direcionam essa produção de quadrinhos online, onde o financiamento pode tanto ocorrer por processos éticos, como financiamento coletivo e similares, como por meio de pagamentos ilícitos ou de origem duvidosa, tal como receber recursos financeiros via “Super chat’’, um recurso onde o usuário pode ‘’comprar ‘’ um comentário que aparecerá em destaque no YouTube.

Um olhar mais atento para as fontes de financiamento da produção artística com viés político-ideológico, pode não ser a melhor forma de desfrutar dos quadrinhos, mas no atual contexto, é uma medida que tem sido cada vez mais necessária para que o público tenha a real dimensão daquilo que está consumindo.



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