24/12/2020 às 09h39min - Atualizada em 24/12/2020 às 09h39min

​Renascimento

IVONE ASSIS
O Natal 2020 chegou, e veio cheio de esperança, porque Natal é renascimento. De fato, o Natal 2020 veio com restrições para o abraço, mas trouxe esperança, mais do que nunca. Tivemos um ano de medo, dor, assombro, choro... Então, o Natal veio anunciando que a cura bate à porta. Não podemos nos entregar à desesperança. A vida é uma roda movida pelo tempo. O tempo move. O tempo para. O tempo muda. O tempo continua.

O Natal simboliza o nascimento do menino Deus, Aquele que veio para dar esperança ao mundo. Por isso, Natal é renascimento. Dia a dia, o comércio busca substituir Jesus pelo Papai Noel. Igualmente, troca a oração e a esperança pelos presentes e festas. Não há proibição nisso. E o credo ou o ceticismo de cada um é impasse individual. Mas, independente da fé, o Natal é tempo para renascer, para colocar as ações na balança, para se reunir com a família e conversar, e pedir desculpas pelos atropelamentos... é tempo para se fechar em seu ambiente secreto e conversar consigo sobre o modo de ser de todos os dias. Neste mundo de “nada é para sempre”, é bom que se viva a vida. Felicidade não está nos objetos, e sim, nas atitudes.

Como escreve o poeta brasileiro Bráulio Bessa Uchoa, em seu “Cordel de Natal”: “Que você, nesse Natal, / entenda o real sentido / da data em que veio ao mundo / um homem bom, destemido / e que o dono da festa / não possa ser esquecido. // Vindo lá do Polo Norte / num trenó cheio de luz / Papai Noel é lembrado / muito mais do que Jesus. // Ô balança incoerente / onde um saco de presente / pesa mais que uma cruz”.

O poema ilustra muito bem o quanto a ingratidão dói, pois, o peso da cruz tem sido menor que o peso de um celular, um batom, uma roupa... Pais e mães deixam de viver tantos sonhos em prol dos filhos, e estes, muitas vezes, revidam o amor com a ingratidão. Quem ama se esforça pelo outro (seja cônjuge, filhos, pais, netos...), não por sacrifício, mas por amor. Desse modo, o mínimo a se fazer é ofertar gratidão, é oferecer amor de volta. Amor é como planta, precisa ser irrigado, para não morrer.

Ainda em seu poema “Cordel de Natal”, Bráulio Bessa escreve: “Sei que dar presente é bom / mas bom mesmo é ser presente / ser amigo, ser parceiro / ser o abraço mais quente / permitir que nossos olhos / não enxerguem só a gente. // Que você, nesse momento, faça uma reflexão / independente de crença, / de fé, de religião / pratique o bem sem parar / pois não adianta orar /se não existe ação [...] / Convença quem está triste / que vale a pena sorrir, / aconselhe quem parou / que ainda dá pra seguir, / e pr’aquele que errou / dá tempo de corrigir”.

O Natal é um momento reservado para a reflexão, em que o homem pode colocar na balança do tempo todos os seus atos e sonhos, e fazer uma autocrítica, com base em suas perdas e conquistas. Esse balanço da vida é essencial para o sucesso, para o recomeço.

Perfeito não somos, somos pessoas. E como tal, estamos sujeitos a erros e acertos. Uma coisa é certa, não aprendemos com os erros, mas, sim, aprendemos consertando os erros. Consertar é experimentar até que se alcance o objetivo. Amar é estar ciente de que o erro existe, mas o esforço em corrigi-lo é maior. Amar é ter a certeza de que, por mais moribundo que seja alguém, eu torço por ele, para que ele vença sua batalha e, de minha parte, farei o possível para que o sucesso seja alcançado. Vale lembrar que sucesso não é sinônimo de aquisição de objetos. Sucesso é conquista própria. Sucesso é autorrealização. Sucesso é renascimento.

 


 
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