20/10/2020 às 08h00min - Atualizada em 20/10/2020 às 08h00min

Mostras de quadrinhos e fanzines

LUCIANO FERREIRA

Como boa parte dos quadrinistas, comecei a publicar em fanzines, participando de mostras de quadrinhos formais e informais, e por isso quero ponderar sobre esse tipo de atuação cultural, por entender que as relações que são construídas aí, são de grande importância para o desenvolvimento artístico, notando que isso vale não só para os artistas, mas também para editores, divulgadores e entusiastas em geral. 

Entre 1996 e 2000, participei de diversos fanzines e mostras de quadrinhos, onde pude receber comentários específicos sobre meus trabalhos, e partir de comentários mais técnicos obtive avaliações mais claras, olhares que ajudariam a encaminhar de modo mais adequado os recursos de produção que eu dispunha naquele momento. Foi ali que elegi a tira de quadrinhos como meu formato de trabalho, já pensando na eventualidade de publicar em algum jornal. Além disso, fiz contato com alguns quadrinistas locais, que ao encaminhar as relações para laços autênticos de amizade, teve um efeito benéfico em minha autoestima, agindo no sentido de acabar com algumas inseguranças e dúvidas e minha capacidade artística. 

Minha participação em fanzines, como “Rabo de Galo’’, e mostras de quadrinhos, como a do Bar do Cowboy e Colégio Nacional, foram meus primeiros passos no sentido de uma produção autoral, que em poucos anos me levariam a publicar em jornais e revistas. Como diz o ditado popular, ‘Estava juntando a fome com a vontade de comer’ e queria muito registrar ‘na História’ causos e casualidades da nossa produção artística regional, queria que minha produção quadrinística fosse uma espécie de espelho da nossa cidade. 

E de fato ocorreram várias reflexões, especialmente sobre questões pragmáticas. Com tudo isso, a minha expectativa de retorno artístico vinha em escalas cada vez maiores, pois se antes minha preocupação era a de ser aceito como desenhista ou se a qualidade técnica do meu trabalho era aceitável, logo passou a ser sobre como criar roteiros, espaços de visitação pública, divulgação e questões afins. 

Ignoro se hoje ocorreria da mesma forma, pois ao utilizarmos a internet como veículo de divulgação de quadrinhos, todas essas questões práticas, as dificuldades e principalmente as reações presenciais, tendem a ser reduzidas quando se trata de relações via redes sociais. 

Também não posso dizer que são melhores, mas para além dos registros meio protocolares de curtidas de um trabalho, acredito que exposições e trabalhos vistos de forma presencial dão outra dinâmica na apreciação de quadrinhos e isso precisa ser levado em conta, pois independente da forma, acredito que esse tipo de experiência é essencial.

*Este conteúdo é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.


 

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