23/05/2020 às 10h20min - Atualizada em 23/05/2020 às 10h20min

Nutrição afetiva

ÉRIKA MESQUITA
Dia desses parei para pensar na minha vida profissional e fiquei com saudades da minha formação. Ser nutricionista trouxe para minha vida pessoal grandes realizações. Cuidamos da nossa alimentação, tenho uma filha que come super bem, de deixar os amigos de queixo caído por vê-la pedir uma bacia de salada como lanche da tarde.

Mas, as vezes me pergunto: mesmo diante de tanto conhecimento sobre alimentos e alimentação, por que escolhi o vinho e não a Nutrição?

Acredito que seja porque para mim não existe alimento bom ou ruim, mas aquele que o nosso organismo pede ou precisa. Acredito fielmente na nutrição amorosa, na comida como resgate de afetividade e sinto que o maior problema da nossa relação com os alimentos é que deixamos de ouvir o nosso corpo.

Talvez nunca tenha exercido a minha essência de nutricionista, de forma profissional, porque não me encaixo, não enxergo a nutrição como uma equação de calorias na qual a somas ou subtrações dão origem a um cardápio. Muito menos acredito que exista um padrão de beleza que priorize apenas magras ou musculosas. O mais importante para mim é entender a história das pessoas, seus hábitos alimentares, suas necessidades, e a partir disso ajudá-las a organizar a alimentação e principalmente facilitar a rotina, que acredito ser o ponto mais importante para se manter saudável.

Para mim, ser nutricionista significa ajudar as pessoas a encontrarem aquilo que faz sentido para elas. Fico sem entender porque você precisa tomar suco verde, com pão integral, uma porção de frutas ou cereais de manhã se não é isso o que quer ou que faz sentido para você. Muita gente faz isso porque alguém, em algum momento, disse que aquilo era saudável ou por se inspirar em pessoas irreais, que vivem do corpo nas redes sociais.

Levar em consideração os nossos desejos e as nossas vontades pessoais, isso sim, alimenta verdadeiramente. Além disso, moramos em um país diverso. Em alguns lugares a primeira refeição do dia é o pão francês com manteiga e café preto, em outros a tapioca é servida logo de manhã. Há lugares que tem açaí com farinha na mesa ao despertar.

Como ditar, mesmo como nutricionista, o que é certo para alguém? Cada pessoa precisa aprender a escutar o que é bom ou não para o seu corpo. Não dá para terceirizar o que você deve comer.

Tenho pensado em voltar a atuar de alguma forma como nutricionista, encaixada na realidade da minha essência como profissional. Sou uma orientadora de nutrição, mas percebi durante todos esses anos trabalhando com enogastronomia que é pelo aconchego que consigo dar um empurrão que o outro precisa para mudar. E acredito que dessa forma encontrei uma maneira de ajudar as pessoas a mudarem seus hábitos, a olhar para si e para o seu corpo. É um abraçar apertado e acolhedor pela comida!
 
PARA A SALADA
- Folhas diversas (alface romana, alface roxa, agrião, rúcula)
- 1 manga
- Sorvete de limão feito à base de água
- Presunto parma fatiado
- Semente de gergelim preta e branca
- Semente de girassol tostada
 
PARA O MOLHO
- 2 colheres de sopa de shoyo
- 1 colher de sobremesa de mel
- Cebolinha verde a gosto
- 1 colher de chá de gengibre fatiado fininho
- 10 gotas de limão
 
MONTAGEM
Para montar, escolha cumbuquinhas individuais, rasgue as folhas de alface e coloque as outras folhas, enrole as fatias de presunto parma e distribua aleatoriamente sobre as folhas, corte a manga no sentido do comprimento e coloque sobre as folhas, faça uma bola de sorvete e coloque no centro do recipiente, salpique as sementes de gergelim. Misture todos os ingredientes do molho e tempere a salada colocando-o principalmente em cima da bola de sorvete.


Esta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.


 
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