11/07/2020 às 10h09min - Atualizada em 11/07/2020 às 10h09min

A arte existe porque a vida não basta

ALICE GUSSONI
Acho linda essa definição do poeta Ferreira Gullar. Desde a época da faculdade, leio e reflito sobre os debates que envolvem o conceito de arte. Mesmo vivendo e trabalhando nesse universo, nunca consegui criar minha própria definição.

A arte já foi muito depreciada, também já viveu momentos de muita “Gourmetização”. Há quem acredite que para praticá-la é preciso ter nascido com um dom. E quem acredite que o treino e a experiência podem te fazer chegar lá. Dentro do ambiente acadêmico, sua obra precisa de um pouco mais de esforço para produzir algo que seja enquadrado como arte.

Mas sinto a liberdade de ter a arte como uma amiga íntima, e a reconheço em vários momentos do dia. Quando vejo duas manchas de aquarela se encontrando, um trecho de um poema que faz meus olhos se encherem de lágrima, uma comida servida com afeto, um arranjo de flores extremamente equilibrado e original… simplesmente sinto a beleza da vida. Dentro de mim, faz sentido isso ser arte. Porque o sentimento de admiração pela vida é pessoal e intransferível. O que me desperta esse prazer não é um conceito do wikipedia, ou o que me ensinou o professor. Meu corpo sente. E em alguns momentos em que não encontro palavras para expurgar o que estou sentindo, essa amiga íntima fala por mim. Ela tem vontade de me lembrar que a vida também pode ser linda.

Nesses dias de quarentena, várias pessoas próximas a mim começaram, ou recomeçaram, a pintar, ou esculpir, ou escrever. Não acho que seja coincidência, ou por termos tempo disponível. Estar confinados nos faz olhar pra dentro. E muito do que vemos precisa sair. No zazen, por exemplo, percebemos que meditar de frente para uma parede é a melhor forma de olharmos no espelho, de nos enxergarmos. Isolados, nossa consciência se abre para muitas coisas que não sabemos organizar internamente, dar nome. E essa “arte” que nos habita é tão compassiva que tenta achar uma solução pra isso sair pro mundo. E nos mostrar que até isso pode ser belo. A arte é tão incrível, que ela quer dizer que até sua sombra tem um lado bonito. Que a vida também merece ser apreciada naqueles cantinhos que ninguém vê. Que você merece se apreciar naqueles cantinhos que ninguém vê.

Então, pra mim, a arte é a parte boa de tudo isso. Então, para homenageá-la, segue uma receita para se contemplar e deliciar.
 
 
BABAGANOUSH COM BETERRABA
 
Ingredientes
 
- 5 berinjelas
- 1 beterraba
- 2 colheres de sopa de tahine
- azeite e sal a gosto
- 1 dente de alho
- folhas de hortelã
 .
Preparo
Coloque as berinjelas e a beterraba diretamente na churrasqueira ou no fogão. Vire todas elas para que todos os lados fiquem bem tostadinhos. Quando estiver totalmente queimada por fora e mole por dentro, corte ao meio, retire a polpa, e coloque no liquidificador com o restante dos ingredientes. Bata até ficar homogêneo. Está pronto! Nessa versão, servimos dentro de um cone de massa, desses comprados, mas pode ser servido com pães ou quibes.



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