08/08/2020 às 14h51min - Atualizada em 08/08/2020 às 14h51min

Pai Sol

ALICE GUSSONI
MARCEL GUSSONI / DIVULGAÇÃO
Sol. Simboliza a força energética masculina. Através dele, tudo o que é vivo pode crescer. Seu calor se espalha através de sua luz. Leva por onde passa a centelha da criação. Em algumas filosofias e religiões, é o Pai Sol. Pai.

Esses dias estava ouvindo Caetano Veloso, Sampa. Me veio instantaneamente uma lembrança de quando era pequena e meu pai me levou a São Paulo, para ir na minha primeira Bienal. Também fomos no MASP, Pinacoteca, e a uma infinidade de pequenos momentos que ficaram eternizados na memória. Na sensibilidade de perceber algo que era tão significativo dentro de mim, ele foi mostrar a imensidão da Arte. Me senti como Dorothy, no Mágico de Oz. Caminhava por um mundo em preto e branco, até que uma porta se abriu e vi o mundo em technicolor. Ele abriu essa porta. 

Olhando hoje, já adulta, para a beleza disso que meu pai fez por mim, vejo nitidamente a força do sol. Percebendo uma semente que eu levava no peito, ele trouxe a luz para que germinasse. Um exemplo de como essa influência pode construir o caminho que iremos percorrer pela vida.

Quando penso no sentido mais profundo da paternidade, vejo a grandeza dessa semelhança com o sol, essa força semeadora. Ilumina. Traz a razão, a praticidade. Poder de simplesmente ir fazer o que é preciso. A mais autêntica ação.

Meu pai e meu irmão são minhas grandes referências dentro desse arquétipo do pai. E quando estou estagnada numa paralisia congelante, tenho vontade de correr para os seus braços a pedir conselhos. Basta ouvi-los, imediatamente sinto um impulso de coragem. Uma voz ao mesmo tempo grossa e suave, sussurrando: “Força, simplesmente aja!”. Ou, num tom um pouco mais cômico: “Levanta-te e anda”. O presente do pai é a coragem. A coisa mais linda que li esses dias, é que o contrário do medo é o amor. Dar coragem é dar amor.

Sei que vivo uma situação extremamente privilegiada. Segundo os últimos dados do IBGE, mais de 80% das crianças têm como primeiro responsável uma mulher, e 5,5 milhões não têm o nome do pai no registro de nascimento. Tem sido crescente a ausência da figura paterna na educação dos filhos. Então, muitas dessas crianças crescem tendo suas mães ou avós como essa figura do Sol.

Para os que têm alguma prática religiosa ou espiritualista, existe uma experiência paterna que transcende aquela familiar. É quando sentimos, pensamos ou falamos do Pai, Senhor, Deus. Existe arraigado no nosso inconsciente coletivo, a figura de alguém que pode ter sido o impulso criador. Um Pai que também cuida, aconselha e protege. Seu Filho, Jesus, foi um dos maiores modelos masculinos que tivemos na nossa história. Um homem que ensinou, através do exemplo, as virtudes mais lindas dos seres humanos.

Houve outros lindos arquétipos paternos que mudaram a história. Homens que inspiraram, deixaram um legado de uma admirável presença do Sagrado Masculino. Então, a minha fatia de afeto hoje vai para cada Pai Sol, em forma dessa reconfortante receita do meu irmão, picadinho de alcatra na cerveja.
 
PICADINHO DE ALCATRA COM CERVEJA
 
INGREDIENTES:
 
- 1,2 kg de alcatra picada (eu pedi no açougue pra picar para strogonoff)
- 2 colheres sopa de farinha
- 100g de bacon picado em cubinhos
- 2 colheres de açúcar mascavo
- 2 colheres de mostarda tipo Dijon
- 2 cebolas grandes raladas
- 2 dentes de alhos picados
- 3 ramos de tomilho fresco
- 3 folhas de louro
- 600 ml de cerveja tipo pale ale (ou uma cerveja escura)
- 100g de champignon
- sal e pimenta do reino a gosto
 
PREPARO:
 
Tempere a carne com sal e pimenta e passe pela farinha. Em uma panela ou frigideira bem quente refogue os cubinhos de bacon até começar a dourar. Retire o excesso de gordura e refogue na mesma panela a carne até começar a dourar. Acrescente a cebola ralada, o açúcar mascavo, mostarda e alho. Misture.

Acrescente a cerveja, os ramos de tomilho e as folhas de louro. Reduza o fogo para o mínimo tampe e deixe cozinhar lentamente, se começar a engrossar demais acrescente um pouco água. O tempo varia muito de acordo com panela, fogo e a qualidade da carne.

Por aqui cozinhei em fogo baixo por uma hora, até o picadinho ficar bem tenro e o molho com uma espessura um pouco menos densa que um strogonoff. No finalzinho, acrescente o champignon e cozinhe por uns 5 minutos no máximo, corrija o sal se necessário. Agora é só servir.




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