22/08/2020 às 14h50min - Atualizada em 22/08/2020 às 14h50min

Abraçando o monstrinho interior

ALICE GUSSONI
MARCEL GUSSONI / DIVULGAÇÃO
Somos um baú transbordante de sentimentos. Basta abrir e um deles vai pular pra fora. Amor, raiva, tristeza, inveja, afeto, descrença, medo, compaixão. Todos sempre a postos, esperando a oportunidade de nos vestir, como uma roupa, e sair passeando por aí contaminando nossos dias e o das pessoas com quem convivemos.

Já imaginou o que aconteceria se por 24 horas você escrevesse num papel cada sentimento que aparecesse? Esses dias eu estava no meio de um ataque de fúria, coisa que acontece tão raramente que não tinha muito ideia do que fazer. Sincronicamente, aparece na minha timeline um vídeo da Monja Coen, professora de uma linhagem de Zen budismo que estudo. Nele, ela sugeria que quando a raiva ou a tristeza chegasse, era pra acolher. Pegar no colo como um bebê chorando, e dizer “pronto, pronto, raivinha querida, já passou”. Realmente, olhar para seus monstrinhos internos e abraçá-los parece mais interessante do que vesti-los como uma roupa, e deixar que eles saiam por aí falando por você, fazendo escolhas por você, assinando documentos em seu nome. 

Mas acho que conseguir fazer isso demanda um treinamento incessante. No filme “Comer, rezar e amar”, quando a protagonista entra no templo onde vai fazer o retiro, um homem fala algo muito interessante. Quando a gente acorda, escolhemos a roupa que vamos vestir. Então, também podemos escolher qual atitude vamos usar. Só que, boa parte das vezes, só queremos ser aquele bebê que chora. Queremos colo, queremos gritar, queremos ser ouvidos, vistos. Às vezes, a nossa dor é tamanha, que toma conta da nossa corrente sanguínea, dos nossos pensamentos. Nos sentimos injustiçados, ou culpados, ou toda uma gama de sentimentos humanos. Nessas horas, se torna realmente difícil escolher a melhor atitude. Única coisa que nos resta é a autocompaixão. Se abraçar mesmo, com todos os nossos monstrinhos e anjinhos internos que compõem esse mosaico lindo que somos. Quando fica muito difícil fazê-lo, eu costumo perguntar para mim mesma qual conselho eu daria se isso estivesse acontecendo com uma grande amiga, um irmão. Quanta paciência e amor você teria se quem estivesse “doentinho” fosse seu filho? Portanto, simplesmente se abrace.

Esses são tempos muito desafiadores e duros para mim e muitas pessoas que conheço. E assim como ouvi de tantas pessoas queridas esses dias, também não tenho palavras. Nem sempre temos como entender o propósito de tudo isso que está nos acontecendo. Só posso almejar que a gente saiba se abraçar, se mimar. Fechar os olhos e lembrar de manhãs ensolaradas com brisa no rosto. Lembrar que existem gargalhadas em grupo, brindes esperançosos. Viagens com cheiros e sabores nunca antes experimentados. Existem vitórias. Existem comemorações de obstáculos superados. Principalmente, existem sempre pessoas tão amadas que quebram o silêncio gélido para dizer: “Conta comigo!”. E assim seguimos, juntos, contando uns com os outros, e contando os dias para os tempos melhores chegarem logo. Prepare para si mesmo uma deslumbrante sobremesa, devore em companhia dos seus melhores sentimentos.
 
TORTA GANACHE DE CHOCOLATE E FRUTAS VERMELHAS
 
INGREDIENTES:
 
Base
– 200g  bolacha maisena
– 70g de manteiga
 
Ganache
– 250g chocolate ao leite
– 250g de chocolate amargo
– 300 ml de creme de leite fresco
– 100g de manteiga
– uma pitada de sal
 
Creme
– 200 ml de creme de leite fresco (ou o de lata, sem o soro)
– 200g de cream cheese
– 1 limão (suco e raspas)
– 3 colheres (sopa) de açúcar
– Frutas vermelhas e pistache para a cobertura
 
PREPARO
 
Base: bata os biscoitos em um processador até esfarelar, acrescente a manteiga e bata até formar uma massa. Pressione essa mistura no fundo de uma forma redonda de fundo removível. Pressione bem e tente deixar a borda mais alta.
 
Ganache: derreta o chocolate e a manteiga em banho maria ou no micro-ondas. Retire e acrescente o creme de leite, misture na batedeira ou com um fouet até conseguir um creme bem liso. Coloque sobre a base de bolacha. Reserve na geladeira.
 
Creme: bata o cream cheese, o creme de leite, o açúcar, o suco e as raspas do limão até a mistura ficar cremosa. Espalhe sobre o ganache, alise com uma espátula. Deixe na geladeira por 3 horas ou de um dia para o outro.
 
Na hora de servir é só acrescentar as frutas vermelhas e os pistaches.




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