21/03/2020 às 08h15min - Atualizada em 21/03/2020 às 08h15min

Manual antipânico

ALICE GUSSONI
Foto: Divulgação

O que acontece quando você precisa ficar em jejum pra fazer um exame? Sente uma fome avassaladora nunca antes experimentada. E quando entra em uma igreja, templo ou hospital, e sua amiga te diz “agora pare de rir”? Você acredita que até entrar em autocombustão seria mais fácil. Quando você passa rímel nos cílios e a única coisa que precisa fazer é não espirrar para não manchar o contorno dos olhos com pequenos e pretos raios de sol? Te acomete uma instantânea crise de espirro. E se por acaso, durante uma discussão, no auge do autocontrole e aprimorada maturidade, alguém te diz pra você não ficar brava? Deve ser um fenômeno com explicação científica, não sei. Quem tiver a resposta ficarei felicíssima em ouvi-la.

Portanto, se te dizem pra não entrar em pânico? Naturalmente, você entra em pânico. Nessas horas parece que não tem mais roupa pra lavar ou cliente pra atender. O pânico é sua prioridade de vida. Posso até jurar que anos de prática Zen e meditação transformaram minha genética. Minha natureza por si, um jeito “panda de ser”, me permite ter pensamentos e ações calmas sem fazer muito esforço. Mas se existe algo com mais braços que Shiva, mais altura que João pé de feijão, é o pânico.

Como a atual pandemia nos deixou em constante estado de alerta e tensão, acho importante fortalecermos práticas de tranquilidade e pensamento positivo. Obviamente, depois de já termos adotado as práticas de higiene e isolamento aconselhadas pelas autoridades. Acredito que seja igualmente importante descontrair e tentar levar o pensamento para outro assunto, cuidar da saúde mental.

Mas será que existe um manual antipânico? Pesquisei no google e achei conteúdo tão eficaz quanto aquele folheto no bolsão dos assentos dos aviões que te mostram o que fazer se o avião cair. Sim! Claro, irei respirar profundamente, colocar a máscara, retirar os sapatos e adotar uma das posições indicadas na figura 4.2.

Brincadeiras à parte, não encontrei nada pronto. Acho que podemos criá-lo juntos, porém separados. Um collab home office. Mas manual antipânico já tem em si a palavra que você quer esquecer. Então vamos procurar um título melhor. Segundo o dicionário de antônimos, o contrário de pânico pode ser:
 
1.
coragem,
destemor,
heroísmo,
atrevimento,
ousadia,
desembaraço,
arrojo,
audácia,
bravura,
valentia,
determinação,
impavidez,
afoiteza,
denodo,
intrepidez,
temeridade.
 
2.
serenidade,
tranquilidade,
sossego,
calma,
quietação,
paz
 
Adorei a ideia do “Manual do atrevimento”, mas ia soar muito anarquista, quase erógeno. Melhor não. “Manual da valentia” deve ter sido já inventado pelo Rei Arthur antes de derrotar os Saxões. Manual do sossego? Manual da calma? Gosto muito. Na minha opinião, um dos primeiros antídotos é o humor. Todos temos uma lista de coisas que gostamos de fazer para levantar o astral. Meditar, comer comfort food, assistir Friends ou ver vídeos gato falando (se nunca viu, experimente).

Já falamos de crises por aqui anteriormente. É importante lembrar que ela vai passar, que algo de bom pode surgir depois, e que é importante dar peso também para os pontos positivos. Já que o isolamento é necessário e obrigatório, trabalhar em casa pode te trazer experiências enriquecedoras. O tempo que você usaria no trajeto pode ser usado para experimentar tirar da gaveta aquela ideia que ficou no último lugar na lista de prioridades. Quem sabe escrever um livro. Pintar com os pés. Ninguém está olhando, coragem!

Se você tem filhos pequenos, quem sabe esse seja o momento de construir em ambas as vidas aqueles momentos que ficarão eternizados. Nunca vou esquecer um dia que acabou a energia e meus pais acenderam uma vela e criaram animais com as projeções das sombras das mãos na parede. Chame os pequenos para fazer um bolo de caneca. Acredite, leva apenas 5 minutos.

Como já disse, gosto de dar importância também para os pontos positivos. E neste cenário de tanto caos, como foi bom perceber a agilidade em que tomamos providências! Melhor ainda foi presenciar tantas iniciativas de apoio. Entre pequenos empreendedores, entre amigos, na sociedade como um todo. Claro, os egoístas existem, os sem-noção também. Pessoas tirando proveito da tristeza alheia para promover a própria imagem, ou vender mais. Cuidado com a Lei do Retorno!

Mas é muito bom perceber que na hora do aperto, os de bom coração sempre aparecem. Assim como nossas melhores intenções também brotam e florescem nos corações dos que mais precisam. É fácil ser um bom amigo nas horas fáceis, de compartilhamento de alegrias. Mas os que permanecem bons nos momentos mais duros são verdadeiros heróis. Seguimos juntos, independente da distância. 
 
Bolo de coco de caneca
 
Ingredientes
1 ovo
2 colheres de sopa de leite de coco
3 colheres de sopa rasas de açúcar ou xilitol
3 colheres de sopa de farinha de trigo (ou a farinha que preferir)
1 colher de sopa de óleo de coco
1 colher de café de fermento
 
Preparo
Em uma caneca, misture os ingredientes sólidos, depois os líquidos aos poucos. Quando estiver homogêneo, leve ao micro-ondas por 3 minutos. Feito!

*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.















 

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