11/03/2020 às 08h00min - Atualizada em 11/03/2020 às 08h00min

Dolittle

KELSON VENÂNCIO
Antes de mais nada, para os que ainda não sabem, “Dolittle” é uma nova versão de uma franquia que teve sua origem em um filme feito em 1967 intitulado “O Fabuloso Dr. Dolittle”. A trama mostrava o personagem principal em uma aventura com seus amigos animais em busca de uma rara e enorme lesma rosa do mar. Em 1998, Eddie Murphy estrelou um novo longa baseado no personagem e que até agora é o melhor de todos. Depois um segundo filme com ele foi feito em 2001 e na sequência tivemos outros longas derivados até chegar ao Dr. Dolittle 5, que naquela ocasião era uma “doutora” que no filme era a filha do personagem de Murphy. Depois de onze anos, temos uma nova aposta nessa franquia e desta vez com o “Homem de Ferro”, Robert Downey Jr. Mas nem mesmo este excelente ator consegue salvar o filme.

Depois de perder sua mulher sete anos atrás, o excêntrico Dr. John Dolittle (Robert Downey Jr.), famoso veterinário da Rainha Victória da Inglaterra, se isola nas paredes da mansão Dolittle, com apenas sua coleção de animais como companhia. Mas quando a jovem rainha (Jessie Buckley) adoece gravemente, um relutante Dolittle é forçado a embarcar em uma aventura para uma ilha mística à procura de uma cura, reconquistando sua esperteza e coragem, encontrando velhos adversários e descobrindo incríveis criaturas. Na jornada, o Doutor é acompanhado por um aprendiz autointitulado (Harry Collett) e um grupo barulhento de animais amigos, incluindo um ansioso gorila (Rami Malek), um pato entusiasmado (Octavia Spencer) e uma dupla competitiva formada por um avestruz (Kumail Nanjiani) e um urso polar (John Cena), além de um papagaio (Emma Thompson), que serve como a companheira mais confiável e conselheira de Dolittle.

Sempre digo que para um filme ser bom é preciso acima de tudo uma boa história. Uma narrativa que justifique a atenção do público dedicada àquela determinada produção. É essencial que se tenha um roteiro atrativo, amarradinho e com um final satisfatório. De nada adianta um longa com bons atores, efeitos especiais, trilha sonora interessante e uma boa fotografia se aquilo que está sendo contado não agrada. E neste filme, cheio de falhas em diversas características técnicas, temos uma história extremamente fraca, pra piorar ainda mais a situação.

A premissa acima é simplesmente horrível. Um homem que conversa com animais vai procurar uma árvore numa ilha secreta pra curar a rainha de um envenenamento? E eu que achei a lesma rosa gigante do original algo bem exagerado, não sabia o que estava por vir. Mas por mais que seja bobinha a trama dessa nova versão, o filme que era pra ser divertido e empolgante, infelizmente é arrastado e cansativo. E olha que “Dolittle” tem apenas uma hora e vinte e oito minutos, sendo menor até mesmo que muitas animações por aí. Os diálogos são ruins e as piadas parecem bem forçadas. Algo que no primeiro filme com Eddie Murphy era bem melhor.

Os personagens são caricatos e exagerados, sejam eles humanos ou não. Os efeitos especiais até agradam em alguns momentos, mas são péssimos em outros vários. Muitas vezes tive a impressão de estar vendo num filme os ursos do comercial da Coca-Cola. Aliás, os da propaganda são melhores.
Robert Downey Jr. até tenta mostrar seu talento, mas acaba se misturando às bobeiras da trama, o que é uma pena. Em diversos momentos, temos a impressão de que ele está largado, sozinho, no meio da produção. Mesmo tendo inúmeros personagens digitais em volta dele.

Acredito que a única razão para tantas coisas superficiais que existem nesse longa é que ele possa ter sido feito exclusivamente para crianças. Se for assim, até acho que o público infantil, não muito exigente, vai até gostar de ver um urso polar que tem frio, um macaco que tem medo, um tigre deprimido, uma arara que manda na “bagaça” toda e um personagem que surge exageradamente no fim do filme com direito a uma cirurgia retal que chega à beira do ridículo. Pensei até que ia surgir alguém falando douthraki e gritando “dracarys”!
 
Nota 4


*Esta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.





 
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