09/02/2020 às 14h00min - Atualizada em 09/02/2020 às 14h00min

Figura e o Sonho Americano

JOÃO BOSCO

Faz tempo que ele se foi! Inclusive, que já voltou.  Figura — esse é o apelido do meu primo — decidira ir para os EUA ganhar dinheiro. Visto negado, encarou os coites. Numa cidadezinha fronteiriça do México, alojou-se a pão e água num barracão de chão, com mais uma turma de moças e rapazes, aguardando a Imigração Americana baixar a guarda.  Chegada a hora, caminharam e rastejaram por vinte e oito horas em solo desértico americano, desviando-se de lobos e cobras até o condado de Tucson, no Arizona.  Figura me contava que, quando a situação ficava tensa, brincalhão como ele só, para animar o pessoal, fazia a vez do “bobo da corte”. Jogados numa camionete como porcos, chegaram a Houston. Numa Van, feito lata de sardinha, ao ponto final: Charleston – Carolina do Sul. Ficou por lá 4 anos a colar papel de parede. Fez uma economiazinha e voltou. A história do Figura é fantástica, gostosa de se ouvir em uma mesa de boteco — e rir — e rir da desgraça alheia. O mesmo já não se pode dizer das mulheres que vão para EUA, fazem três ou mais faxinas por dia, se intoxicam com produtos químicos, e diante do tudo ou nada, voltam doentes para o Brasil para tratarem-se pelo SUS.

*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.
















 

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