02/02/2020 às 08h34min - Atualizada em 02/02/2020 às 08h34min

Dias loucos

WILLIAN H STUTZ
As grandes janelas de vidro estão cobertas de espuma. Paro e fico a observar as bolhas pela nesga de sol, que nos concede o privilégio de capturar, nem que seja por breves segundos, um belo arco-íris por leas capturadas, carro alegórico do instante. Como ser vivente elas, as bolhas, escorregam calmas pela superfície translúcida e se deixam ir. Algumas dão de encontro a outras maiores e se fundem em uma só, levando consigo seu colorido arco de sete cores. Mesclados, parecem se abrir em sorrisos. Seguem. Mais alguns momentos se abrem como frutos a espalhar sementes e devolvem ao sol e ao céu adorno  tomado emprestado. E eu, testemunha e jurado do deslumbrante desfile, grito em silêncio só meu: Dez, nota dez!

Que semana doida. Combinado, prometi não falar mais de joaninhas. Não que o assunto esteja esgotado, mas acho que já deu para você meu amigo, minha amiga. Se alguém ainda tem alguma dúvida sobre a importância das pequenas fique à vontade para fazer contato. Podemos conversar horas sobre o assunto. Aliás, conto outra vez o encontro que tive em um destes acasos do viver, com um senhor na fila da padaria. Cenhoso, em voz alta e me apontando sua bengala como espada:

─ Você encheu minha casa de bichos! Claro, todos os olhares da renque matinal se dirigiram a mim. Fiquei sem ação. Paralisado em quase súplica consegui um hesitante e baixo “mas o que é que eu fiz?” Abrindo-se em sorriso largo e matreiro, também em tom de trovão, respondeu: Uai, quase só tem bicho em suas crônicas de domingo! Chegou mais perto sussurando:

 ─ Contínua, me faz lembrar minha infância.

 Olha, vou te contar, foi o maior elogio que recebi em toda minha vida. Nem em premiações em concursos literários ou títulos a mim conferidos ao longo da vida, como o de cidadão honorário de nossa Uberlândia e Veterinário do Ano pelo Conselho Regional de Medicina Veterinária, CRMV MG. Cara, ando pouco modesto hoje, me perdoe. Esse senhor conseguiu prolongar minha vontade patológica de escrever por tempo indefinido. Queria muito agradecê-lo.  O que não consegui fazer no momento do “ah, é”. Voltei várias vezes àquela padaria em diferentes horários, mas ele simplesmente desapareceu como outro senhor que tratava das rolinhas todas as manhãs, hora falo dele.

Do nada um forte jato d’água derreteu todas as bolas e os seus adornos coloridos de sol escorreram com pressa no vidro, acelerando na avenida para finalmente sumirem na área de dispersão, empurradas por um imenso rodo. Ficou o vidro/passarela translúcido, à espera de novo desfile.

Que janeiro doido! Um nosso (ex) Secretário Especial da Cultura encenou personagem espúrio? Eu disse nosso? Deus me livre e guarde. Nosso não, deles! Como bem definiu o UOL Notícias: “O Goebbels caipira...”–– e arremata com maestria (…) a degradação da democracia é uma ameaça à democracia... 

Lá nas estranjas um embate de proporções inimagináveis entre EUA e a Pérsia, ops Irã, quase descamba ladeira abaixo arrastando o mundo junto. Também a UOL e outros tantos veículos de comunicação nos contam: “China tem 9ª morte provocada pelo coronavírus; já são mais de 400 casos.Transmissão entre humanos causa pneumonia. EUA, Japão, Tailândia, Taiwan e Coréia do Sul também confirmaram casos da doença.”

Outra do mês: Sabe-se lá o motivo REAL, oferecem denúncia contra o jornalista Glenn Greenwald e recebem críticas contundentes do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, a OAB e  de entidades de imprensa com justa razão.

O UEC empata com o Galo no Sabiá, mas jogou muito bem. Se fosse contra o Cruzeiro seria vitória fácil do Verdão. Vai estar nas quartas de final. Pode escrever.

E para completar, aqui em Uberlândia uma do SOS Uberlândia: “Caminhão Tapa-buracos é engolido - por quem?- Por um buraco(!) declaração de Guerra de guerrrilha Vietcongs no asfalto.

E os escorpiões continuam matando…

Meus amigos, minhas amigas, afirmo, prefiro falar de bichos a abordar tanta coisa estranha. Entre a benignidade e a malvadez, fico sempre com a primeira. Daí falar tanto de plantas, bichos, anjos, estrelas e sonhos. Mas, como sempre digo: Tem dia que de noite é assim!

Bom domingo.



*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.








 
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