14/12/2019 às 10h00min - Atualizada em 14/12/2019 às 10h00min

Salada de mangas

JOÃO BOSCO
Dezembro: mês das mangas! Mangas nos pomares, nas escolas, nos lares. Mangas médias, miúdas e graúdas. Mangas verdes, de vez e maduras. Mangas sadias, podres e bichadas. Mangas transgênicas, sem raça e de raça: zynw21, comum, Itamaracá. Mangas benzidas, que fazem bem, que fazem mal. Mangas caras, baratas e de graça. Mangas para os espanhóis, franceses e os alemães. Mangas nos hotéis, nos shoppings e nos bordéis. Mangas lascivas, molhadas e lambuzadas. Mangas lavadas, inchadas e despudoradas. Mangas ao léu, com mel, com fel. Mangas no lixo, na lata, no tacho. Mangas doces, amargas, azedas. Mangas petrificadas, chapadas e purificadas. Há mangueiras centenárias que guardam nas entranhas do caule, tristes e belas histórias de mangas. Quem pode trazê-las a público senão o poeta, senão o escritor? Eu, apenas as chupo. Mangas em flor, mangas na penca, despencadas, de peles, peladas, sem pudor. Mangas pisadas e discriminadas. Mangas com sal, insossas, adocicadas, enfim, diversificadas, para deleite do apreciador.

*Esta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.






























 
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