26/10/2019 às 13h59min - Atualizada em 26/10/2019 às 13h59min

Mundo maravilhoso

JOÃO BOSCO

Em voo quase sônico um beija-flor, pela janela, entra em minha casa e por causa dele antecipo o meu hábito predileto. Pego a minha long neck preferida, giro a tampa, destampo, faço da tampa um disco voador e, gestualmente, arremesso-a ao receptáculo de lixo e toda vez que faço esse gesto a lixeira me lembra das “cercas embandeiradas que separam quintais...”. Só então sorvo um gole. Em seguida canto mentalmente versos de “ouro de tolo” e finalizo com múrmuros: “eu devia estar contente... mas...”...  É que tudo me parece tão igual! Na aldeia do escritor israelense Amos Oz, vivem um piloto de caça, uma flautista, um aficionado por jazz. No meu distrito, um piloto comercial e demais e, tanto lá como cá, todos vivem em reunião no entorno de uma mesa, a comerem, a beberem, a sorrirem e a chorem. Para consolo meu tocava no sax “What a Wonderful World” quando o beija-flor entrou em minha casa. Ele deu um giro na sala e na mesma velocidade que entrou saiu. Queria me dizer: não obstante, João, a mesmice, os tanques de guerra, as bombas, o ronco das metralhadoras, as farpas de arames que há na aldeia de Amos Oz, o mundo é de fato maravilhoso.

*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.




 

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