14/09/2019 às 07h00min - Atualizada em 14/09/2019 às 07h00min

Meu pé de romã

JOÃO BOSCO

Faz duas décadas que mudei. Assim que passei o cadeado no portão da casa que deixava, minha vizinha à época, ali mesmo me presenteara com uma robusta romã ainda por rachar. Trouxe-a para a nova morada. Dois ou três dias depois, numa manhã ao sol, no quintal, eu a debulhava e apreciava a doce polpa das sementes. Espremia-as entre dentes e depois expelia-as para um pequeno canteiro ainda não habitado. E foi assim que o meu pé de romã nasceu, ali cresceu e deu frutos, como o fruto que fora. Por ocasião de passagem de ano eu me sentia bem em oferecê-los a meus convivas. Eu, confesso, tinha uma cumplicidade com ele e gostava dele não só por tudo que o fruto simboliza, mas, sobretudo porque ele era meu. O vento o deitou ao chão por três anos consecutivos. Na última vez, apesar de levantado, não resistiu. Morreu. No entanto deixou uma frágil mudinha grudada numa raiz. Eu a transplantei e vi que ela já respira. Essas pequenas coisas, ultimamente, têm me deixado, digamos... satisfeito.

*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.

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