08/09/2019 às 16h00min - Atualizada em 08/09/2019 às 16h00min

De frente pr’o crime

JOÃO BOSCO

“Tá lá o corpo estendido no chão...”: assoviava, eu, um clássico de João Bosco. Interrompo quando, da margem da estrada, o brilho de uma lâmina alcança a minha retina e quase me cega. Recolho-a para averiguar. É uma clássica faca peixeira. Corte de pouco aço, fácil de amolação e apropriada para sangrar presas. E gente também. Prossigo na estrada. Minutos depois enxergo uma calça. Limito-me a examinar com uma pequena vara. É de cor escura e de uma textura fora de moda, algo que lembra as clássicas calças inglesas. Ficam-me nítidos os bolsos com remates de renda clara. Por mais alguns metros: uma camisa. Examino-a do mesmo modo: é de cor clara com listas finas e marrons, mangas compridas e dois bolsos de acabamentos idênticos aos da calça. Bordas revestidas, porém, com renda escura. O traje não é de uso comum... Há poucos metros à frente uma cruz fincada no chão a expiar os mistérios do mundo. Volto à canção: “Olhei o corpo no chão e fechei minha janela pr’o crime...”.

*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.

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