29/08/2019 às 08h12min - Atualizada em 29/08/2019 às 08h12min

Expectativas

IVONE GOMES DE ASSIS

“A felicidade é uma sensação de bem viver que surge a cada conquista, mas entre a felicidade e a conquista mora a expectativa”. E é justamente da expectativa que eu gostaria de falar agora, porque, neste momento, ela me envolve, por completo, fazendo-me ansiar pelo próximo sábado, dia 31. A razão é simples, é que aos 31 de agosto de 1888, nascia uma mocinha cheia de expectativas. Naquele dia, uma grande população depositava todas as suas expectativas nesta mineirinha que acabava de surgir.

De lá para cá, quanta história aconteceu. Naquele ano de 1888 foi votada e aprovada a Lei Áurea, assentindo que a partir de 13 de maio daquele ano fosse abolida a escravatura no Brasil; lei que, segundo a história, se consumou de fato em 1850, apesar de, ainda hoje, alguns “focos de queimada” surgirem aqui e ali. Em 1922, ano em que o país celebrava a Semana de Arte Moderna, Uberlândia também registrava o marco histórico do surgimento do Uberlândia Esporte Clube, que vem abrilhantando a história do futebol uberlandense, cada vez mais. Ainda, naquele 1922, o Fórum de Uberlândia saía da construção do senhor Arlindo Teixeira para se reinventar na nova edificação da Praça da República (Tubal Vilela), onde permaneceria por várias décadas, até migrar para o fórum Abelardo Penna, onde ficou até a presente década, quando passou a atender na nova sede da Rondon Pacheco.

E neste relato de incríveis acontecimentos, eu poderia ficar aqui mencionando centenas, milhares de fatos, que vão da história do Povo do Pé Vermelho, passando pela Mogiana, pela telefonia, pelos grandes nomes que promoveram Uberlândia, mencionando a criação dos municípios de Cruzeiro dos Peixotos, Martinésia, Miraporanga e Tapuirama. Enfim, como escreveu Moacyr Lopes de Carvalho, eu poderia registrar milhares de coisas sobre “Uberlândia, Terra gentil que seduz; / Uberlândia, joia da minha afeição”, para dizer como “[...] tua beleza reluz” e o quanto são lindos “teus jardins formosos”; para explanar “Toda a minha adoração”. Mas quero focar meu relato sobre o nascimento desta “Uberlândia menina”, que começou em 31 de agosto de 1888, ainda Vila de São Pedro de Uberabinha, e vem se remoçando todos os dias, abraçando sua gente, seus visitantes, seus pesquisadores, seus jornalistas, seu povo (da literatura, do comércio, das feiras, dos artesanatos, da música, da arte, da comida típica, da contação de histórias, da medicina, do direito, da segurança, do marketing, das igrejas, da política... do infinito), ou melhor, da infinita capacidade de criar e recriar. Mais que isso, de amar.

Quero desejar a esta cidade, que me recebeu de braços abertos, no ano de 1989 – para me fazer quem sou –, um feliz aniversário de 131 anos. Para tanto, peço ajuda ao Poetinha, nosso ícone Vinicius de Moraes, de quem tomo emprestado “Soneto de aniversário”: “Passem-se dias, horas, meses, anos / Amadureçam as ilusões da vida / Prossiga ela sempre dividida / Entre compensações e desenganos. // Faça-se a carne mais envelhecida / Diminuam os bens, cresçam os danos / Vença o ideal de andar caminhos planos / Melhor que levar tudo de vencida. // Queira-se antes ventura que aventura / À medida que a têmpora embranquece / E fica tenra a fibra que era dura. // E eu te direi: amiga minha, esquece... / Que grande é este amor meu de criatura / Que vê envelhecer e não envelhece.

E como escreveu Mário Quintana: “Nem todos podem estar na flor da idade, é claro! / Mas cada um está na flor da sua idade...”.
Aproveito, para citar “Encontro marcado”, de Fernando Sabino, que à página 297 convida: “— Vem jantar na minha casa hoje. Aniversário de meu filho, vai haver um leitãozinho. Ele também é literato, você vai gostar.”. É assim que, hoje, levo até você minhas expectativas.

*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.

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