17/08/2019 às 06h30min - Atualizada em 17/08/2019 às 06h30min

Cruzeiro & Martinésia

JOÃO BOSCO

Hoje, manhã de sábado, fui só para o distrito. Sem pressa... numa velocidade adequada para deslumbrar com o clarão do dia, com a brachiaria orvalhada, com o gado a pastar, com o vale e as neblinas do rio Araguari. O deslumbramento perdura até Km 10. Ali a coisa fede e como fede. Ali se processa resíduo orgânico. Após minutos de fedentina, retomo ao meu estado. Quebro a rotina,  estico até Martinésia. Na estrada, me brotam as peculiaridades de cada distrito e me lembro de duas do Cruzeiro que mexe com o imaginário: a morte e a salvação. A primeira, o distrito centenário não tem cemitério. Imortais? Não. E também não é uma falta grave. A gente não pensa mesmo em morrer. Se morre, sepulta-se em Martinésia. A segunda, lá chegando não se vê o campanário da Igreja. Ela foi construída na parte baixa, no pé da serra mais distante do céu. Pecadores contumazes? Não! E também não vejo defeito. Deus está em todo lugar e a distância nossa em relação a ele é muito pessoal. Enfim, muitos já foram lá garimpar uns contos fantásticos.

*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.

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