02/06/2019 às 11h00min - Atualizada em 02/06/2019 às 11h00min

Receita da felicidade

ALICE GUSSONI
Tenho medo de ter aquele distúrbio que faz a pessoa não conseguir ficar parada. Fiz oito mudanças em dez anos. Morei até do outro lado do oceano. A recente empreitada foi morar no último estado antes do Brasil acabar, no meio da mata Atlântica, ao lado de um Centro de Prática Zen Budista onde eu praticava-estudava-cozinhava. Há alguns meses voltei do Rio Grande do Sul para Minas Gerais.

É no mínimo peculiar a quantidade de pessoas que eu encontro na rua que me fazem a mesma pergunta: “Como você conseguiu voltar?” Seguida das perguntas: “Você está gostando? Por quê?” Fico com vergonha de responder os meus motivos. Porque são coisas muito pequenas. Por ficar morando por um ano no meio de uma floresta, acho um luxo morar a apenas dois quarteirões de uma padaria excelente. Ou porque quando eu tenho saudades dos meus pais, irmão, sobrinhos, vó, tias, amigos... basta eu andar alguns minutos. Me sinto uma criança falando no microfone da Xuxa: Um beijo pra minha mãe, pro meu pai e pra você.

Quando estava no Sul também achava o máximo estar perto das pessoas queridas de lá. E ver o céu mais estrelado que já vi na vida, além de paisagens quase paradisíacas demais para serem reais. Mas veja bem, hoje no trânsito todas as vezes que dei seta o carro do lado me deu passagem. Até na faixa de pedestre, aqui no meu bairro pelo menos, as pessoas sempre param pra gente atravessar. Que evolução.

E quando eu tenho uma reunião e consigo atravessar a cidade em 15 minutos? Isso é qualidade de vida! Pão de queijo feito com o melhor queijo do Brasil? Temos! Na França custaria uma pequena fortuna. Aqui brota como mato na calçada rachada. E pamonha minha gente? Como ser feliz sem ter uma pamonharia na sua cidade?

Não sei se é a prática do Zen que me ensinou apreciar o momento presente, mas desconfio que na verdade a gente vai ficando velho e dando valor a coisas diferentes. Amando as coisas simples da vida. Isso acontece com você?

Obviamente tem muita coisa ruim acontecendo. É claro que constantemente me imagino em lugares melhores, mas isso não pode diminuir aquilo que existe de bom já aqui, bem embaixo do meu nariz. Um leitor me disse que falo como se a vida fosse só flores. Mas se eu estou bem, gosto de falar de coisas boas, isso é um ciclo vicioso porque coisas boas não param de acontecer em avalanches de ação e reação.

Isso inclusive me veio como insight enquanto eu caminhava no parque. Abro um pequeno parêntese já que o mencionei: lugar lindo, limpo e não ouço falar de ninguém sendo assaltado lá. Tem pessoas praticando ioga, corrida, dança e afeto. Mas o insight me veio pra dizer que a gente tem que ter um sério comprometimento com o que queremos da vida. Quero coisas boas, portanto vejo, falo, faço coisas boas. Quero ter comprometimento com isso. Afinal, seria hipocrisia querer que milagres viessem até mim sem fazer nenhum esforço. E pra não dizer que tudo são flores, como um ser humano qualquer, quando não estou bem, reclamo também com intensidade.

Penso que seja sempre útil pra qualidade da saúde mental colocar numa balança os prós e contras do seu cotidiano, perceber o que pode ser feito para aprimorar ou aceitar, ou até simplesmente valorizar o que merece ser apreciado. Então, minhas sinceras reverências aos mineiros.

Para concluir com muito sabor, segue uma deliciosa receita para felicidade:
 
Pamonha assada - doce ou salgada
 
Essa receita é muito versátil, podendo ser doce ou salgada, além de permitir uma variedade infinita de recheios. E de bônus pode ser consumida por quem tem intolerância ao glúten ou lactose.
 
Ingredientes

 
750g de milho verde
 
¾ de xícara de óleo (usei de girassol)
 
1 xícara de água
 
1 colher de sopa rasa de sal (ou se for fazer a versão doce, use ¾ xícara de açúcar)
 
Recheio a gosto, usei queijo canastra, bacon, abobrinha e cenoura. Para a pamonha doce pode ser usada goiabada, queijo, frutas, etc.
 
Ervas frescas (usei salsão)
 
1 colher de sopa de fermento químico
 
Preparo
Bata no liquidificador a água, óleo, milho, sal ou açúcar e temperos. Pique os ingredientes do recheio. Incorpore todos os ingredientes do recheio, acrescente o fermento e despeje em uma assadeira. Leve ao forno médio por 30 minutos.

*Esta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.
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