03/04/2019 às 08h00min - Atualizada em 03/04/2019 às 08h00min

'Megarromântico'

KELSON VENÂNCIO
Foto: Divulgação
As comédias românticas são uma antiga e ótima receita de sucesso de bilheteria nos cinemas. Até mesmo aquelas com roteiros simples, historinhas leves e de certa forma até bobinhas conquistam um grande público. São pessoas que gostam de ir aos cinemas ver um filme apenas por diversão ou por um programa a dois que vai deixar os apreciadores por este gênero cada vez mais apaixonados (ou iludidos com o amor). E a Netflix acaba de lançar um longa que trata sobre esse assunto, mas que vai na contramão de tudo que já assistimos a respeito.

“Megarrromântico” gira em torno de Natalie (Rebel Wilson) que é uma jovem arquiteta cética em relação ao amor e que se empenha para ser reconhecida por seu trabalho. Um dia, ao saltar do metrô, ela é assaltada em plena estação e, ao reagir, acaba batendo com a cabeça em uma pilastra. Ao despertar em um hospital, ela descobre que, misteriosamente, foi parar dentro de um filme de comédia romântica.

A personagem principal odeia comédias românticas por achá-las bem fúteis e por não acreditar nas diversas características que são passadas por elas. Para Natalie, esse tipo de filme é algo clichê, que tem sempre cenários lindos, fotografias recheadas de cores e paisagens belíssimas, flores e passarinhos espalhados pelos sets de gravações, casais alegres que vivem sem nenhum tipo de problema e finais felizes. E para ela, uma mulher com a autoestima baixa e com um físico não muito atraente, isso tudo é uma bobagem que passa bem longe da realidade.

E é por causa dessa crítica é que o filme se torna interessante. Todas as coisas que ela critica acabam acontecendo com ela neste, digamos, "universo paralelo" no qual vai parar. A narrativa é crescente e boa, com uma ótima pegada cômica capaz de arrancar boas risadas do público. A trama é interessante e nos prende facilmente até o final, que não demora muito a chegar já que o filme tem um tempo suficiente para passar a mensagem, sem se alongar demais.

As interpretações do elenco são ótimas, especialmente da protagonista Rebel Wilson que em minha modesta opinião faz deste o melhor papel da carreira dela (até porque não gosto muito dos outros trabalhos dessa atriz). Outro ponto forte é a direção do longa de Todd Strauss Schulson que consegue fazer dois filmes em uma só com captações. Quando Natalie está no mundo real, os ângulos são totalmente diferentes daqueles que são mostrados quando ela está no mundo repleto de felicidade. E isso, apesar de ser até exagerado em muitas cenas, funciona bem, já que a ideia é criticar as comédias românticas.

Mas talvez o único defeito deste longa é que ele faz muitas críticas a este gênero, mas no fim tem um final praticamente igual a todas as comédias românticas, se tornando clichê também. E isso acontece mesmo com a boa mensagem de amor próprio que o filme passa. Mesmo assim, com certeza é uma ótima pedida para você se divertir bastante.

Nota 8
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