31/03/2019 às 09h00min - Atualizada em 31/03/2019 às 09h00min

Muito trabalho, pouco tempo

ÉRIKA MESQUITA
Foto: João Paulo Garcia
Na última semana, nossa pequena Antônia completou 12 anos. E, nesse tempo, ainda não tínhamos feito uma festa para seus amigos da escola. Ela, sempre muito compreensiva e grata com o que recebe, e eu, fazendo jus ao ditado: em casa de ferreiro, o espeto é de pau!

Os amigos se organizaram por conta própria para uma festa e eu vi a oportunidade de proporcionar a ela uma singela festa. Conto isso para, na verdade, compartilhar com vocês o que essa festa trouxe de experiência.

Primeiramente, passei o dia todo sozinha e resolvi que seria uma boa oportunidade de me desligar de toda a tecnologia, pensar e repensar muitas coisas. Tenho vivido com a sensação de que não tenho tempo para nada: família, amigos ou para mim mesma. De quebra, as tarefas profissionais se acumulam, dificultando ainda mais essa equação.

Quem de vocês já não pensou que os dias parecem mais curtos? Ou que o tempo está passando mais rápido? Besteira imaginar tudo isso, não é? O dia continua com as mesmas 24 horas. Pensando em toda essa “filosofia”, resolvi ler um pouco a respeito do equilíbrio do tempo e encontrei dados de um economista britânico de 1930 que dizia que dentro de 100 anos, todos estaríamos trabalhando 15 horas semanais. Isso porque a tecnologia se encarregaria tanto do nosso trabalho que poderíamos ter mais horas livres para o lazer e o ócio.

Todos esses anos se passarem e em pleno 2019 percebemos que, na prática, acontece bem o contrário. Muitas pessoas estão trabalhando 40, 50 ou até 60 horas por semana, e a tecnologia tem nos deixado plugados mesmo nos dias de folga. Dessa maneira, o trabalho tem, literalmente, assumido nossa vida. E o sonho de uma rotina equilibrada se tornou ainda mais distante.

Talvez 90% das pessoas que conheço, incluindo eu mesma, estão transformando o trabalho em algo extremamente importante. Acabamos por fazer com que isso ocupe uma função muito maior do que apenas gerar uma renda. Estamos associando nossa identidade e essência ao trabalho e entregando a ele a responsabilidade pela nossa felicidade.

E se pararmos para pensar, como fiz, o resultado é que quando nosso lado corporativo bate de frente com outros afazeres, ele quase sempre ganha a batalha.

Terminei montando uma linda festa, mas o mais importante foi estar em meditação em pleno dia corrido, chegando à conclusão de que quando se trata de trabalho, a maioria de nós vive uma vida ditada pelos outros. Essa é a parte do acordo que assinamos quando barganhamos trabalho por dinheiro. Mas não são os outros que estão vivendo a nossa vida, nós estamos! E temos o direito de trabalhar para que isso nos proporcione contentamento, gratificações e o espaço e energia para crescer também nas áreas que tornam a nossa jornada uma aventura incrível.

Compartilho com vocês uma receita da minha querida amiga Alice Gussoni, que está de volta à cidade e é, das pessoas que conheço, quem mais coloca amor em seu trabalho.
 
Amanteigado de flores Panc’s
INGREDIENTES
 

1 xícara (chá) de farinha de trigo
¼ de xícara (chá) de açúcar
75 g de manteiga
½ colher (chá) de extrato de baunilha ou raspas de limão ou canela
1 ovo
 
MODO DE PREPARAR
Misture todos os ingredientes e estenda entre dois filmes plásticos. Como o rolo de macarrão faça uma massa de aproximadamente 1cm. Coloque as flores e passe o rolo levemente por cima para que elas grudam na massa. Leve à geladeira por 15 min. Corte-as e coloque-as em forno pré aquecido a 180 graus até as bordas ficarem levemente douradas.
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