19/03/2019 às 08h25min - Atualizada em 19/03/2019 às 08h25min

Francisco Alves Pereira

ANTÔNIO PEREIRA
Felisberto Alves Carrejo é reconhecido oficialmente como o fundador da cidade. Os descendentes de João Pereira da Rocha não aceitam. Para eles, o primeiro entrante, o João Pereira, é que é o fundador. Na verdade, Pereira foi o primeiro a fixar-se com intuito de permanecer e produzir riqueza. Tanto que são incontáveis os Pereira domiciliados no município. O saudoso odontólogo rural Gregório Pereira de Melo contava uma estranha e pitoresca história da fundação da cidade. Que havia dado muito gafanhoto nas pastagens de João Pereira da Rocha e que o gado espontaneamente, procurando um lugar distante desses incômodos e insaciáveis insetos, foi bater na encosta que hoje é o Fundinho. Escravos, peões e familiares do patriarca acabaram se fixando nesse local, para estar próximo do gado, iniciando a formação da cidade. Quase dois séculos distante desses fatos, sem documentação, fica difícil aceitar esta ou qualquer outra história.

O que se tem documentado é que uns quinze anos depois do assentamento de João Pereira da Rocha, chegaram os irmãos Carrejo: Antônio, Francisco e Felisberto, trazidos pelas mãos do Luiz, primeiro deles que chegou. Ajeitaram-se em terras adquiridas a antigos moradores. Depois de estabelecido o primeiro ajuntamento de casas no Povoado de São Sebastião da Barra (ali pelos lados do bairro Tabajara), já por obra e graça do Felisberto, os habitantes das redondezas reuniram-se e elegeram-no, mais o Francisco Alves Pereira, seus procuradores para construírem e cuidarem de uma capela que evitaria a cansativa romaria a Indianópolis, quando precisassem de recurso religioso.

Já sabemos muito do Felisberto. Francisco era o segundo filho do primeiro matrimônio do João Pereira da Rocha. Era casado com d. Francisca Fernandes dos Santos, com quem residia na Fazenda do Letreiro. Francisco e Felisberto escolheram o local para a construção da capela curada. O Visitador Ordinário autorizou a construção nas cabeceiras do córrego de São Pedro, ali pelas alturas do Carrefour. Acabaram construindo na encosta que desce para a foz do São Pedro, onde está a Biblioteca Pública Municipal. Os dois adquiriram de Francisca Alves Rabello, viúva do João Pereira da Rocha (segundo matrimônio dos dois) e madrasta do Francisco, uma gleba de terra com cem alqueires de cultura e campo por quatrocentos mil réis. Aí construiriam a capela. Francisco e Felisberto mandaram abrir o rego d’água que sustentou as obras. Ao redor da igrejinha foi se formando a cidade. Separaram dez alqueires, dos cem adquiridos para o patrimônio da santa, e o transformaram em pasto para aluguel cuja renda seria para a manutenção da capela. Chamava-se “Pasto de Nossa Senhora”. A construção acabou em 1853. Insuficiente para conter a população que crescia, necessitou de ampliações de que cuidou Felisberto - que veio a falecer em 1863. Para substituí-lo, foi convocada uma comissão sob a presidência de Francisco Alves Pereira que tocou as obras até 1876 quando também faleceu.

Francisco foi enterrado dentro da capela, ao lado de Felisberto. Não há dúvida de que as atividades de Felisberto, nos princípios da cidade, foram mais dilatadas, principalmente na aglutinação de pessoas, entretanto, basicamente Felisberto e Francisco tiveram a mesma atuação nos fatos que resultaram na fundação da cidade. Ambos são fundadores. A única homenagem que Francisco recebeu até hoje foi nomear uma pequenina rua do Fundinho.

Francisco esteve envolvido também numa pitoresca aventura por ocasião da Guerra com o Paraguai. Mas isso já é outra história para outra ocasião.

(Fontes: Pedro Pezutti e Tito Teixeira)
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