12/03/2019 às 10h18min - Atualizada em 12/03/2019 às 10h18min

Instalação da telefonia

ANTÔNIO PEREIRA
A telefonia chegou a Uberabinha em abril de 1911, quando Lázaro Ferreira começou a fazer as instalações dos primeiros telefones. Seus postes eram tirados de árvores do cerrado, muito tortos e baixinhos. O jornal O Progresso criticou essas instalações dizendo que os postes eram risíveis e os fios serviam para as lavadeiras pendurarem as roupas para secar. Em julho de 1911, Ferreira inaugurou os serviços telefônicos que atenderiam no máximo a uns 30 assinantes. No mês seguinte ele vendeu a concessão para uma firma de Araguari, Oliveira & Cia, que prometeu fazer ligações com Araguari. Seriam as primeiras linhas interurbanas da cidade. Em 1917, Oliveira passou a concessão para o português José Monteiro da Silva que só ficou dois anos com o negócio e passou-o para a firma Irmãos Teixeira, que era do Arlindo Teixeira Jr. e do Tito Teixeira. Nessa época, 1919, só havia cinquenta assinantes.

Em 1932, Arlindo vendeu sua parte para o Tito Teixeira, que montou a Empresa Telefônica Teixeirinha, individual. Essas concessões feitas pela Câmara Municipal tinham um prazo que, vencido, permitia nova concorrência. Até 1938, não houve concorrentes. Nesse ano houve e quem ganhou foi a Cia Prada de Eletricidade, mas, como a lei permitia, Tito Teixeira refez sua proposta e permaneceu. Foi a Teixeirinha que instalou os primeiros telefones automáticos no Brasil Central. Foi ela também que conseguiu que a Companhia Telefônica Brasileira inaugurasse linhas telefônicas aqui em Uberlândia e conjugou-as com as suas. Então, pudemos falar com todo o Brasil, só que as ligações demoravam dias pra sair.

A crise na Teixeirinha começa em 1949, quando Tito Teixeira pretendendo ampliar a rede conforme exigia o contrato de concessão, pediu um orçamento à Erickson, e à Câmara, autorização para fazer uma nova tabela de preços. A Câmara, numa atitude desrespeitosa, só começou a analisar o pedido da Teixeirinha dois anos depois e autorizou a renovação do contrato de concessão, mas não autorizou a nova tabela. Tito pediu empréstimo ao Banco do Brasil, pediu o apoio do presidente Getúlio Vargas, mas não conseguiu nada. No fim de 1951 a Câmara autorizou a mudança na tabela, mas aí os preços dos materiais já eram outros e o aumento não resolveria. Começou um desentendimento entre a Câmara e a Teixeirinha. A Câmara exigia a ampliação dos serviços, mas Tito, como não tinha como atender, pediu prorrogação do prazo para cumprimento dessa exigência. A Câmara não deu e chegou a iniciar um processo de cassação da concessão. Sem saída, Tito tentou montar uma sociedade anônima e até pensou em vender a empresa. Comunicou isso à Associação Comercial, que iniciou um processo de formação de sociedade anônima. Foi feito um abaixo assinado e um acordo de cavalheiros de que ninguém poderia ter mais que um por cento das ações. Dessa forma, no dia 7 de janeiro de 1954, a nova sociedade anônima, denominada Companhia de Telefones do Brasil Central, adquiriu a Empresa Telefônica Teixeirinha e começou a era da CTBC. Quando a CTBC começou, cada acionista não podia ter mais que um por cento do capital. Cada ação valia cinco mil cruzeiros. Depois de poucos anos, alguns acionistas começaram a vender sua parte. Os senhores Alexandrino Garcia e Hélvio Cardoso começaram a compra-las, aumentando bastante seu patrimônio. Ambos queriam o controle acionário da CTBC. Depois, chegaram a um acordo e o sr. Hélvio vendeu sua parte ao sr. Alexandrino. A partir daí se formou essa grande empresa de comunicação que foi a célula máter do Grupo Algar.

Fontes: Atas da Câmara e jornais da época
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