08/03/2019 às 10h26min - Atualizada em 08/03/2019 às 10h26min

Teoria sobre a chatice

CELSO MACHADO
Mesmo nunca tendo estudado psicologia, até mesmo reconhecendo que leio pouquíssimo sobre o tema, gosto de observar o comportamento humano sob vários ângulos. E me atrevo, por vezes, a desenvolver teorias sobre alguns deles. Nada com muita profundidade. Apenas devaneios compartilhados de um ser acometido por frequentes “tagarelices mentais”. É o caso desta minha teoria sobre a chatice, formulada a partir de acontecimentos recentes.

Pelas minhas avaliações os primeiros sintomas se manifestam pela cara amarrada. Daquelas que nos recomendam nenhuma saudação. E se por um descuido fazemos isso, o mau humor aflora na forma de respostas agressivas. Parece que não têm palavras nos lábios, mas pedras. Nunca sabemos por que razão o indivíduo não está num dia bom. Mas se não fomos nós os causadores, por decorrência não deveríamos aguentar as consequências do que não provocamos. Nessa fase o melhor é deixar para lá, só isso.

O estágio seguinte é o desdobramento da chatice, quando além do mau humor a pessoa faz questão de implicar com outros no ambiente em que se encontra. Discorda de tudo e suas colocações não são de quem quer o diálogo, mas dar aula tamanha a empáfia com que coloca suas opiniões. Nessas horas uma ida ao banheiro é sempre uma ótima saída. Principalmente se for possível mudar de mesa depois disso.

Aqui abro um parêntese pois preciso colocar que considero todo chato uma pessoa carente. Como não consegue despertar atenção e afeto pelo seu modo de agir, busca marcar sua presença pelo incômodo ou embaraço que consegue causar. Na maioria dos casos a solução é simples, passe a ver nas atitudes do chato apenas manifestação de um estilo de comportamento diferenciado e pronto.

O chato deixa de ser chato, pois sua chatice passa a ser uma característica pessoal. A outra solução igualmente eficaz que reparto e que pratiquei com regularidade até há pouco tempo é adotar um chato por ano. Simples, a gente elege um que, mesmo sendo chato tem algum predicado e lhe dedica tempo e paciência. Pronto, menos um na nossa vida. E, convenhamos, sem dogmas religiosos, considero isso uma caridade maior do que ir a pé para Romaria.

Continuando o descritivo da teoria da evolução da chatice, observo que para alguns não basta serem experts no assunto, querem ir além, porque o ápice do chato é quando consegue mais do que aborrecer, irritar.

Aí sim é a fase da realização pessoal do chato mór. Onde vão, com quem estão, nunca passam desapercebidos. São alvo da atenção geral. E o pior,
mesmo com toda nossa paciência, as vezes conseguem tirar a gente do sério. A saída é usar uma arma eficaz, o desprezo. Chato que não recebe atenção, fica frustrado, apagado, perde a referência.

Está aí uma teoria “celsiania” sobre a evolução da chatice. Provavelmente não serve para muita coisa. Boa recomendação mesmo é fazermos uma autocrítica se muitas vezes chatos somos nós e não os outros.
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