23/05/2018 às 12h37min - Atualizada em 23/05/2018 às 12h37min

'Cobra kai'

KELSON VENÂNCIO | COLUNISTA
Foto: Divulgação
 
Em 1984, estreava nos cinemas um dos filmes que mais marcaram a década de 80 e que até hoje é uma grande referência quando se fala em filmes de artes marciais. Eu estou falando de “Karatê Kid” que conta as aventuras vividas pelo jovem Daniel Larusso (Ralph Macchio) e seu mestre Senhor Miyagi (Pat Morita). O longa ficou muito famoso por mostrar o ensinamento do karate por meio de atividades cotidianas, como limpar o carro ou pintar uma parede. Na época virou um fenômeno entre as crianças e adolescentes. Com isso, foram feitas três continuações (só a segunda é boa) e um remake com Jackie Chan como mestre e Jaden Smith como o jovem aprendia. Este é até bom, mas não chega ao nível do original. 

Para a alegria dos fãs, depois de 34 anos, foi lançada a série “Cobra Kai” que é um ótimo presente nostálgico para revivermos o passado e marca o reencontro dos dois atores do primeiro filme 30 anos depois. A trama gira mais em torno do personagem Johnny Lawrence (William Zabka) que fracassado desde que perdeu o torneio no filme antigo, busca redenção ao reabrir o infame dojo Cobra Kai, reacendendo a sua rivalidade com o agora bem-sucedido Daniel Larusso (Macchio), que tem lutado para manter o equilíbrio em sua vida sem a orientação de seu mentor, Mr. Miyagi. Dois homens que direcionam os traumas do passado e as frustrações do presente na única maneira que eles sabem como resolver: através do karate. 

Paralelamente ao conflito dos dois, estão as histórias dos alunos de Lawrence e LaRusso. Por exemplo, há os alunos do Cobra Kai: um grupo de adolescentes marginalizados que encontram uma camaradagem e autoconfiança sob a tutela de Johnny, mas levando longe demais a filosofia agressiva de seu mentor, à medida que eles começam a se degenerar na notória brutalidade da época do antigo sensei Kreese. Em contraste, o filho distante de Johnny, Robby Keene, está sob o domínio de Daniel, que demonstra uma influência positiva para o menino quando ele começa a buscar a redenção enquanto aprende as filosofias do Sr. Miyagi. Enquanto isso, a filha de Daniel, Samantha, é pega no meio desses conflitos enquanto aprende quem são seus verdadeiros amigos e um caminho melhor para seguir.

Cobra Kai tem um roteiro muito bem escrito, bastante leve e divertido, já que brinca com as situações diversas que se tornaram consequência daquilo que aconteceu há mais de três décadas. Ao mesmo tempo, mantém a moral com os ensinamentos passados aos alunos dessa nova geração. E o melhor de tudo é que a nova narrativa nos mostra um lado que até então não conhecíamos, o do antagonista do filme original Johnny Lawrence. Na série fica bem explícita a versão dele de que na verdade o Daniel Larusso era o malvado da história se passando por vítima já que chegou na cidade roubando a namorada de Johnny e ainda provocou várias brigas. E o bom é que mesmo os que torciam para Larusso no filme antigo, acabam repensando tudo dentro da perspectiva de Johnny que aliada aos recursos de flashback, mostrando as cenas de conflitos entre os dois, melhoram ainda mais essa percepção. 

A trama é tão boa que consegue deixar o público na dúvida. “Desta vez, pra quem eu vou torcer?” Essa talvez seja a pergunta mais difícil de ser respondida já que os dois personagens estão ótimos. E não é só isso. No último capítulo também não sabia pra qual aluno iria torcer: Miguel Diaz ou Robby Keene? Difícil escolher!
Recheada de referências e homenagens aos filmes antigos, “Cobra Kai” tem um elenco que trabalha muito bem, desde os atores principais até os mais jovens. Ainda tem uma bela fotografia e uma ótima trilha sonora. Os dez capítulos de aproximadamente 30 minutos cada são poucos para quem estava ansioso pra assistir esta série. Agora é esperar a segunda temporada que já foi confirmada pelo YouTube Red e que estreia em 2019. Santa ansiedade pequeno gafanhoto! 

Nota 9
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