25/04/2018 às 09h33min - Atualizada em 25/04/2018 às 09h33min

'Um lugar silencioso'

KELSON VENANCIO | COLUNISTA
Foto: Divulgação

“Um lugar silencioso” é mais um daqueles filmes que te promete muita coisa e no fim não é tudo aquilo que você pensou. É por isso que sempre digo que grandes expectativas podem trazer grandes frustrações. Nesse caso, não fiquei totalmente frustrado, mas esperava mais.

O filme se passa em uma fazenda dos Estados Unidos onde uma família do meio-oeste é perseguida por uma entidade fantasmagórica assustadora, que no desenrolar da trama não ficamos sabendo exatamente da origem dessas criaturas que parecem os Demogorgons de “Stranger Things”. Para se protegerem, eles devem permanecer em silêncio absoluto, a qualquer custo, pois o perigo é ativado pela percepção do som.

A história se passa num futuro pós-apocalíptico não muito distante, onde pelo pouco que nos é indiretamente contado, a Terra foi invadida por extraterrestres. Pouco se sabe sobre os invasores, apenas que são cegos e que, ao captar qualquer barulho a partir de um certo nível de ruído, atacam a fonte sonora de forma implacável.

A premissa do longa é extremamente interessante e principalmente depois da introdução da história você acredita que vai se assustar muito, o que acontece poucas vezes ao longo da projeção. O fato de quase todos os diálogos serem feitos na linguagem dos surdos e mudos é algo bastante positivo por um lado, já que mostra as boas atuações de todo o elenco que trabalhou para passar a real situação de medo e desespero da família sem poder dar um "pio" sequer. Por se tratar de um filme praticamente mudo, principalmente na primeira metade, o espectador é colocado numa situação agonizante junto com os personagens. E a contraposição de usar elementos sonoros da própria natureza dando bastante ênfase a eles no meio de todo aquele silêncio é um acerto.

Mas por outro lado, isso também acaba deixando o filme cansativo, já que a ausência dos sons é algo que não estamos acostumados a ver nas produções atuais. Com isso, em vários momentos o sono vem mesmo. E por fim, quando os ataques dos monstrengos acabam se tornando inevitáveis, a produção usa e abusa dos sons altos, do barulho provocado pelas criaturas o que acaba sendo meio forçado na tentativa de tirar sustos da plateia.

O maior problema é que os responsáveis pelo longa não decidiram se queriam um filme de arte ou um Blockbuster. E como ficaram no meio do caminho, eu também ficarei. Por isso a avaliação que faço é de que “Um lugar silencioso” é regular.

Nota 5
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