28/03/2018 às 17h16min - Atualizada em 28/03/2018 às 17h16min

'O Mecanismo'

KELSON VENANCIO | COLUNISTA
Foto: Divulgação

Qualquer semelhança não é mera coincidência. Assim eu definiria "O Mecanismo" que é a nova série original da Netflix. Com direção de José Padilha e roteiro de Elena Soares, a produção é inspirada no livro “Lava Jato - O juiz Sérgio Moro e os bastidores da operação que abalou o Brasil” do escritor Vladimir Netto.

A trama gira em torno de Marco Ruffo (Selton Mello) é um delegado aposentado da Polícia Federal obcecado pelo caso que está investigando. Quando menos espera, ele e sua aprendiz, Verena Cardoni (Carol Abras), já estão mergulhados em uma das maiores investigações de desvio e lavagem de dinheiro da história do Brasil. A proporção é tamanha que o rumo das investigações muda completamente a vida de todos os envolvidos.

Apesar de ser uma obra fictícia baseada em fatos reais, o roteiro é bastante conhecido, especialmente do público brasileiro que vem ao longo de muitos anos "assistindo" às consequências da corrupção na política nacional. E mesmo sendo algo que já estamos até acostumados (infelizmente) a conviver, a premissa é extremamente chamativa e interessante, especialmente nos primeiros quatro episódios que nos prendem a atenção.

O roteiro é bem desenvolvido, mas se perde um pouco em alguns episódios que se tornam repetitivos e arrastados, especialmente ao abordar os problemas pessoais dos personagens principais da trama, algo desnecessário. E por mais que haja inúmeras acusações contra a obra produzida por José Padilha, criticando que o mesmo deturpou os fatos e propagou mentiras, eu prefiro analisar a "obra fictícia baseada em fatos reais". Não me posiciono politicamente sobre o assunto, apesar de achar que atualmente no Brasil é complicado saber o que é esquerda e o que é de direita, já que a maioria é tudo farinha do mesmo saco.

Eu particularmente sou um grande admirador de Padilha que em suas produções sempre "cutucou" o sistema político e prisional, como em “Tropa de Elite” e “Ônibus 174”. E não só do Brasil, mas de outros países também, como em “Narcos” e até mesmo na nova versão de “Robocop”.

Ah, vale lembrar das ótimas atuações do elenco, mas em especial de um ator que sempre me agrada. Eu estou falando do excelente Enrique Diaz que rouba todas as cenas em que aparece interpretando o doleiro Roberto Ibrahim. Chego até a dizer que Ibrahim está para "O Mecanismo" tanto quanto Saul Goodman está para "Breaking Bad".

E que venha a segunda temporada que está sendo escrita pela vida real e que pelo menos por enquanto, sem nenhum esboço de final feliz.

Nota 8
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