06/03/2018 às 16h26min - Atualizada em 06/03/2018 às 16h26min

'Eu, Tonya'

KELSON VENANCIO | COLUNISTA
Foto: Divulgação

Enquanto "A forma da água" foi supervalorizado no Oscar 2018, "Eu, Tonya" foi extremamente injustiçado em minha humilde opinião. O filme é excelente em inúmeros quesitos e no entanto foi indicado apenas em três categorias: melhor montagem, melhor atriz para Margot Robbie e melhor atriz coadjuvante para Allison Janney, ganhando esta última de forma merecida.

Desde muito pequena exibindo talento para patinação artística no gelo Tonya Harding (Margot Robbie) cresce se destacando no esporte e aguentando maus-tratos e humilhações por parte da agressiva mãe (Allison Janney). Entre altos e baixos na carreira e idas e vindas num relacionamento abusivo com Jeff Gillooly (Sebastian Stan), a atleta acaba envolvida num plano bizarro durante a preparação para os Jogos Olímpicos de Inverno de 1994. Baseado em fatos reais.

Com uma história empolgante, com bastante humor negro, “Eu, Tonya” é o tipo de filme que não deixa você ficar com sono em nenhum momento. Pelo contrário, a narrativa é crescente e a história te empolga a cada minuto, ainda mais com a excelente trilha sonora e com as cenas bem montadas e dirigidas. Concordo plenamente com o termo usado no trailer da produção: "Um arraso. ‘Os Bons Companheiros’ da patinação".

O filme traz ótimas sequências de performances da personagem principal patinando nas pistas de gelo como nos mostra a história real por traz das competições da vida imensamente conturbada de Tonya Harding e sua relação com o esporte, o marido agressivo e a mãe pouco agradável.

E é aí que entram as excelentes atuações dos atores da produção. Sebastian Stan mostra que sua capacidade de interpretar vai muito além do Soldado Invernal dos filmes da Marvel. Ele consegue encarnar o marido Jeff Gillooly e nos mostra uma pessoa que demostra um amor doentio pela esposa que sempre acaba em caso de polícia. Margot Robbie já mostrou em outros filmes que é uma excelente atriz, especialmente quando interpretou a Arlequina em “Esquadrão Suicida”, que foi a única coisa boa do longa da DC Comics. Mas agora ela se superou e fez de Tonya o melhor trabalho dela até hoje. Sua atuação é simplesmente sensacional e se não fosse pelo trabalho de Frances McDormand poderia até ter ganhado o Oscar de melhor atriz.

E por fim, temos também a brilhante atuação de Allison Janney que arrebenta fazendo a mãe que cobra e critica muito da filha e não dá o devido carinho que uma mãe daria em diversas situações. Ela está fantástica no filme e mereceu ganhar o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante.

Pra mim, Tu, Tonya poderia estar sem nenhuma sombra de dúvida entre os indicados a Melhor Filme já que é melhor do que pelo menos uns três longas dessa lista.
 
Nota 10
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