26/12/2017 às 17h05min - Atualizada em 26/12/2017 às 17h05min

'Aliança do crime'

KELSON VENANCIO | COLUNISTA
Foto: Divulgação

 

Ver o ator Johnny Depp caracterizado no cinema e interpretando diferentes tipos de personagens é algo incrível, mas que há algum tempo se tornou comum para os fãs do trabalho dele. Edward Mãos-de-Tesoura, Capitão Jack Sparrow, Willy Wonka, Sweeney Todd e o Chapeleiro Maluco são apenas alguns dos mais marcantes trabalhos do ótimo currículo desse ator. Mas praticamente todos estes personagens possuem uma característica mais cômica.

Agora, em “Aliança do crime”, Depp mudou um pouco essa trajetória e nos mostra algo novo. Mesmo caracterizado como nos outros trabalhos, ele faz uma atuação diferente e nos apresenta um criminoso mais contido. Um assassino frio e extremamente temido.

O longa é baseado em fatos reais e nos conta a história de Whitey Bulger, irmão de um senador dos Estados Unidos e que foi um dos criminosos mais famosos da história do sul de Boston. Ele começou a trabalhar como informante do FBI para derrubar uma família de mafiosos, mas foi traído pela agência, tornando-se um dos homens mais procurados do país.

O roteiro, apesar de cansativo na primeira meia hora de projeção, é bem interessante e se aprofunda ainda mais à medida que a história vai sendo contada. A trama é uma adaptação do livro de Dick Lehr e Gerard O’Neill que mostra a vida do criminoso durante 30 anos. Mas mesmo sendo interessante existem elementos que são simplesmente deixados de lado como o fato de um poderoso senador, interpretado por Benedict Cumberbatch, ser o irmão do "rei do crime". Este fato é tratado em segundo plano, desperdiçando até mesmo a capacidade de atuação que Cumberbatch poderia nos dar.

Toda a força que o filme poderia ter acaba sendo concentrada apenas no personagem principal. O excelente trabalho de Depp salva o filme na maioria das vezes. E apesar da maquiagem carregada, que em certos momentos fica perfeita e em outros aparenta ser um monte de massa no rosto do ator, Depp encarna Whitey Bulger de uma forma incrível. Joel Edgerton que faz o papel do agente do FBI John Connelly acaba de saindo bem e se destaca na sombra de Depp.

“Aliança do crime” não é o melhor filme de máfia que já existiu, mas pra quem gosta do gênero ficará satisfeito com o resultado do trabalho do diretor Scott Cooper.

Nota 7

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