25/11/2018 às 07h30min - Atualizada em 25/11/2018 às 07h30min

Aposte no espumante brasileiro

DENISE AFONSO E ÉRIKA MESQUITA
Não é segredo que o brasileiro tem uma tendência a admirar muito os produtos que vem de fora e com os vinhos importados isso não é diferente. Mas, em se tratando de vinhos espumantes não vejo que essa tendência seja assim tão forte e não deveria ser mesmo, segundo minha opinião. 

Isso acontece porque os espumantes brasileiros caíram no gosto popular, porque eles têm preço acessível,  uma qualidade média muito boa e quando comparados com espumantes importados de mesmo preço normalmente são muito melhores. Um prosecco italiano na faixa dos R$ 40, por exemplo, dificilmente bate um brasileiro. Então, essa coluna é para dar algumas dicas na compra dos espumantes para as festas de fim de ano.

Em Uberlândia existe uma boa oferta de espumantes dos mais tradicionais produtores brasileiros, como Aurora, Casa Valduga, Miolo, Pizzato, Perini, Salton, dentre outros, que podem ser comprados a partir de R$30-35, dependendo do que você quer ou pode gastar e do produto que quer na taça.

Sempre me perguntam se dá para comprar vinhos em supermercados e minha resposta é: depende! A grande questão é saber se o supermercado cuida bem dos vinhos. Se você sai para comprar um vinho e vê que durante o período da tarde as garrafas tomam um banho de sol ou estão muito próximas de refrigeradores que deixam o ambiente mais quente, fuja desse lugar. Porém, se existe um lugar próprio para os vinhos, por exemplo, a compra é confiável.

No caso dos espumantes não há problema se a garrafa estiver em pé, porque a pressão interna é tão grande que o oxigênio não entra para estragar o vinho, mas procure por espumantes mais novos. Respeite o paladar de seus convidados, porque se não estão acostumados a esses vinhos o ideal é optar por espumantes mais adocicados. Os espumantes meio-secos (demi-sèc) são boas saídas para agradar a todos, porque têm um teor de açúcar maior e harmonizam com os petiscos que normalmente servimos.

Já para as sobremesas, principalmente aquelas com base em frutas e mesmo o panetone, escolha um moscatel brasileiro da Serra Gaúcha. Ele é adocicado porque é feito com uma uva de alto teor de açúcar, então tem baixo teor alcoólico, é muito aromático e vai agradar os convidados no final das refeições.

Mas, se você procura por espumantes secos, dê uma olhada no rótulo e escolha um brut ou extra-brut, com baixo teor de açúcar residual e ideal para acompanhar as refeições e para brindar a presença da família e dos amigos. Esses espumantes mais secos são elaborados por dois processos diferentes. Pelo método charmat a formação do gás carbônico acontece em tanques de inox, enquanto pelo método champenoise isso acontece na própria garrafa. A maior diferença é que esses últimos são espumantes mais maduros, com mais aromas e sabores lembrando a fermentação.

Espero que as dicas sejam úteis para que um ano tão difícil como 2018 termine na companhia de ótimas bebidas.
 
(A)ventura na cozinha
 
Olha o peixe cru!
Ceviche de tilápia


Prato típico do Peru é simples, barato, saboroso e perfeito como entrada em dias quentes

JULIANA VENTURA | FOLHAPRESS

Olá, cozinheiros! Bem-vindos a mais uma aventura na cozinha! O dicionário da Real Academia Espanhola diz que ceviche é um "prato próprio de alguns países americanos, feito à base de peixe ou marisco cru, cortado em pedaços e preparado em suco de limão ou laranja azeda, cebola, sal e pimenta". De fato, é possível encontrar versões do prato em lugares como Chile, Equador ou Colômbia, já que é uma preparação originária do litoral norte da América do Sul.

Mas foi no Peru que se consolidou mais fortemente, tanto que o governo peruano declarou a iguaria patrimônio cultural da nação, no ano de 2004. O ceviche é um preparado em que o peixe cru passa por "cozimento" por acidificação. O que acontece é que a marinada ácida, realizada no suco de fruta, transforma a textura e a aparência dos cubos de peixe, porque desnatura e coagula o tecido muscular, tornando-o turvo e mais rijo. Procurei ensinar aqui uma receita bem básica, mas é possível experimentar bastante com o ceviche. Grãos frescos de milho verde no lugar (ou ao lado) do pepino, por exemplo, ficam incríveis. Também dá para usar o sumo do limão-taiti misturado a outros caldos acres, como laranja, limão siciliano, maracujá ou abacaxi.

Para acompanhar, chips de batata-doce ou banana verde funcionam muito bem. O preparado pede o (para alguns polêmico) coentro como tempero. Sua adição é fundamental. O sabor ligeiramente agridoce e cítrico equilibra o sal e o picante, além de ressaltar de forma sutil, ainda que essencial, o sabor do peixe. Como não é uma erva estável na presença de calor, prefiro adicioná-la só no fim das preparações.

O mesmo vale para o ceviche, ainda que não haja cozimento real envolvido. A quantidade usada aqui é pequena e eu não recomendo substituir o coentro por salsinha. Caso você seja do tipo que não gosta nem de sentir o cheiro do coentro, tente colocar bem pouco. O que acontece, muitas vezes, é o uso exagerado do tempero. Por ter sabor forte, ele pode, realmente, roubar o gosto dos outros ingredientes e isso pode contribuir para seu estigma de erva que deixa tudo com o mesmo paladar. Não caia nessa. Que tal dar uma chance? Vamos para a cozinha? Até a próxima!

Ingredientes
-4 filés de tilápia
-½ cebola roxa
-1 pimenta dedo-de-moça
-2 limões-taiti
-2 col. (sopa) de coentro picado
-1 pepino japonês
-1 col. (sopa) azeite de oliva
-Sal a gosto
 
Modo de fazer
1-Corte os filés de peixe em cubos médios. Fatie a cebola bem fina e corte os pepinos em cubos pequenos
2-Abra a pimenta ao meio, tire as sementes, e fatie-a bem fina
3-Em uma tigela, misture o peixe, a cebola, o pepino e a pimenta ao suco feito com dois limões e o azeite
4-Deixe meia hora na geladeira
5-Adicione o coentro, acerte o sal e sirva gelado



* Nota do editor: Você encontra filé de tilápia fresco de boa qualidade em alguns supermercados de Uberlândia.
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