22/08/2020 às 08h00min - Atualizada em 22/08/2020 às 08h00min

Projeto leva contação de história a crianças e famílias

Escritora uberlandense, Leda Gonzaga produz vídeos com cantigas e história de forma educativa

IGOR MARTINS
Leda Gonzaga é a criadora de “Era uma Vez... A Saia Mágica de Alice” | Foto: Divulgação

A arte de contar histórias se fez presente na vida de milhares de pessoas. Desde cedo, muitas crianças foram acostumadas a ouvir contos e fantasias, que seguem contribuindo para o desenvolvimento cultural, linguístico e imaginário dos pequenos. Foi pensando nisso que a escritora uberlandense Leda Gonzaga criou o projeto “Era uma Vez... A Saia Mágica de Alice”, uma maneira adaptada de levar história às crianças de forma remota.

O projeto de Leda foi aprovado no Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Pmic) em 2019/20. Apesar de a iniciativa ter sido aceita no formato presencial, ela foi adaptada para levar cultura de maneira online e, com isso, atender demandas educativas e lúdicas de crianças em situação de isolamento social causada pela pandemia da Covid-19.

A proposta da escritora foi fazer um vídeo com a contação de sua história, inspirada no livro “Alice no País das Maravilhas”, de Lewis Carrol. De acordo com Leda Gonzaga, a iniciativa foi pensada buscando atingir não apenas o público infantil, mas também pais e responsáveis pelas crianças, como uma tentativa de resgatar as cantigas e as brincadeiras no momento de isolamento social.

“A contação de histórias nada mais é do que um resgate às memórias afetivas de um povo, de tradições milenares. Ela instiga a imaginação, a criatividade, a oralidade, incentiva o gosto pela leitura e contribui na formação da personalidade de uma criança, envolvendo o social e o afetivo”, disse.

Na opinião da contadora de histórias, o resgate das brincadeiras e do despertar da imaginação, através dessa arte, tem ganhado cada vez mais força nas redes sociais, sendo, inclusive, uma alternativa de entretenimento até mesmo para os mais velhos. “Quero que as crianças, os pais ou os responsáveis curtam de forma lúdica esse enredo, resgatando em si a sua infância. Isso só beneficia as crianças em questões emocionais e traz a elas um pouco de descontração, esquecendo a rotina que o isolamento social oferece”, falou a escritora.

Leda comentou ainda sobre as diferenças de uma contação de histórias de maneira presencial para o online. Segundo ela, existe de fato uma grande diferença, mas não desqualifica a contação de forma remota. Para a escritora, uma das principais vantagens do presencial é que o contador consegue ter um termômetro de como a apresentação está correndo.

“Ao contar histórias presencialmente, existe aquele contato direto com o público, o olho no olho. Mas isso não muda a forma em que a história é preparada e estudada para servir o seu público. Acredito que nesse novo normal, essa arte narrativa de forma remota vai ganhar mais força”, disse à reportagem.

LIVRO
Além do vídeo disponibilizado pela escritora, outro projeto implementado por Leda Gonzaga é um livro com a mesma história, que será lançado em breve por meio de uma live no Instagram. A produção é totalmente ilustrada e foi pensada para atender crianças de escolas públicas, estaduais e privadas não apenas de Uberlândia, mas também de outros municípios e estados.

Segundo Leda, três secretarias de Educação já demonstraram interesse nos materiais de contação de histórias, incluindo cidades do Rio de Janeiro, Ceará e São Paulo. Em relação aos vídeos, todos serão disponibilizados em seu canal no YouTube, o “Quintal da Minha Sala”.

De acordo com Leda, um dos lados bons da pandemia, se é que pode ser considerada como tal, está na união dos povos em todos os setores, principalmente do setor artístico ao levar arte para dentro das casas de todas as famílias, especialmente dos contadores de histórias, que há muito tempo têm tentado resgatar o fortalecimento dessa arte no Brasil.

“Eu acredito que o brincar vai além das gerações, de diferentes tempos e lugares. Nesse momento em que estamos vivendo as histórias, os livros e as brincadeiras se tornam favoráveis nessa fase de isolamento, levando compreensão aos medos e anseios das crianças, além de permitir a criação de um vínculo e intimidade familiar”, explicou.


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