15/02/2020 às 10h57min - Atualizada em 15/02/2020 às 10h57min

Atletas de Uberlândia competem em Mundial de Cheerleading nos EUA

Pelo 2º ano consecutivo, jovens compõem seleção brasileira que compete na Flórida

ELOÍSA ROCHA*
Eduarda e Willy competirão em Orlando em abril | Foto: Arquivo pessoal
Pouco se sabe sobre a chegada do cheerleading no Brasil. Estima-se que as primeiras equipes tenham surgido entre 2006 e 2009. A partir de 2016, houve um boom do esporte no país e o surgimento de diversas equipes, que são destaque no cenário nacional até hoje. Em Uberlândia, o esporte é praticado desde 2012 quando a Associação Atlética Engenharia (AAE), da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), fundou a Sexylions, primeira equipe da modalidade na cidade.
 
De lá para cá o cenário mudou. Hoje existem cerca de 14 times representando as associações atléticas da universidade. A popularização do esporte cresceu tanto em Uberlândia que a UFU realiza desde 2017 um campeonato interno, único deste modelo em todo país.

Essa febre não ficou restrita aos muros da UFU. A Esamc também criou suas equipes, que competem em campeonatos regionais. Com a consolidação do esporte na cidade, o surgimento de equipes All Star – times que não têm vínculo com instituições educacionais – foi inevitável. Foi assim que surgiu a Bravo!Cheer, primeira equipe desta categoria na cidade, de onde vêm atletas que se destacam no cenário nacional do esporte e de onde saíram os atletas que representam Uberlândia na seleção nacional, o Team Brasil.

Segundo Cedrick Willian, técnico de cheerleading e sócio fundador da BRAVO!Cheer, o programa existe desde 2017 quando o atleta e sócio da equipe Lucas Rodrigues foi campeão Mineiro e vice nacional no nível 3 da categoria Best Cheerleader. Atualmente o programa conta com quatro equipes no ginásio: uma equipe COED (mista) nível 2, uma equipe COED nível 3, uma equipe COED nível 4 e uma equipe ALL Girl (só de meninas) nível 2.

Tanta dedicação só poderia gerar bons resultados. A BRAVO! Coleciona títulos desde o primeiro campeonato em que esteve presente. Em 2019, a equipe sagrou-se bicampeã nacional em uma das categorias, e esteve presente em todos os pódios que disputou, além de levar atletas para o Team Brasil pelo segundo ano consecutivo. 

Para Cedrick, é um grande orgulho ver seus atletas representando o país na maior competição do cheerleading: o mundial de clubes da Internacional Cheer Union (ICU), que acontece em abril na Flórida. Porém, ainda existem pontos a serem melhorados no cenário nacional.

 
“Como coach sinto um orgulho enorme ao ver, pela segunda vez, atletas da BRAVO! representando o país em um Campeonato Mundial. É uma satisfação ver que o esforço de todos está valendo a pena. Muitos detalhes podem e devem ser melhorados no âmbito nacional, como a democratização dos treinos da seleção que, atualmente, mesmo com a minoria de atletas do Rio de Janeiro tem os treinos concentrados por lá”.

Preparação para o Mundial 
Em 2019, três atletas uberlandenses foram convocados para a seleção brasileira de cheerleading. Este ano, mais dois foram selecionados. Eduarda Borges tem 21 anos e pratica o esporte há dois. Ela conta que antes de conhecer a modalidade era atleta de ginástica e conheceu o cheer por meio das equipes da UFU.

“Eu conheci o esporte na universidade. Antes de ingressar na UFU eu fazia ginástica artística no projeto da Futel [Fundação Uberlandense do Turismo, Esporte e Lazer]. Durante os treinos, que aconteciam no ginásio do campus da Faculdade de Educação Física e Fisioterapia da UFU, sempre via os times universitários e foi daí que surgiu o interesse pela modalidade”.

Segundo ela, a vontade de participar das seletivas para o Team Brasil veio após amigos da BRAVO! serem selecionados, em 2019, para o Mundial. “Depois que eles contaram a experiência eu senti que também queria viver aquilo. Procurei treinar mais para me sentir capacitada e fazer a seletiva”.

Willy Di Rita é estudante de educação física, tem 22 anos, e pratica cheerleading desde 2015, quando entrou para a Equipe Sexy Lions. Segundo ele, seu amor pelo esporte e a vontade de crescer ainda mais no esporte o motivaram a tentar a seletiva para a seleção brasileira. “O nível técnico da seleção brasileira é muito maior. E também tem o prazer de defender a camisa brasileira no Mundial”.

Apesar dos dois estarem ansiosos para a competição e com a expectativa nas alturas, eles disseram que estão preocupados com as dificuldades. A primeira delas acontece já nos treinos, realizados na cidade do Rio de Janeiro. Durante os quatro meses de treinamento intensivo que antecedem o Mundial, os atletas que não moram na capital fluminense precisam fazer diversas viagens para comparecer às atividades. Essas viagens são arcadas pelos próprios atletas, já que a seleção brasileira não tem patrocinadores, nem apoio governamental. 

 
“A maior dificuldade é a falta de patrocínio e investimento no esporte. Os atletas do Team Brasil têm que arcar com todo o custo da viagem para Orlando, uniformes e outras questões necessárias para que a equipe esteja pronta para competir. Além disso, como são treinos no Rio, todos que não são do estado precisam viajar para a cidade semanalmente e esse custo também é arcado pelos atletas”, disse Willy.

Mesmo com as dificuldades, os atletas estão otimistas para a competição. Em 2019 o time brasileiro ficou na quarta colocação em sua categoria, conquista histórica para o cheerleading nacional. A posição foi a mais alta alcançada pelo time desde 2015, primeiro ano em que o Brasil teve uma equipe competindo o Mundial.

“Estamos com um time muito forte trabalhando, com a coreografia já bem adiantada. Individualmente os atletas estão fortes o que fez com que a coreografia ficasse muito difícil. Nossa intenção é chegar até o pódio, então vamos trabalhar muito para conquistar esse objetivo”.

Próximos passos
Willy e Eduarda não pretendem parar após o mundial. A jovem conta que deve continuar treinando pesado para crescer ainda mais no esporte. “Espero absorver tudo de bom em questão de técnicas e posturas para meu crescimento como atleta e continuar buscando sempre melhorar. E quem sabe ano que vem competir no Mundial de novo.”. 

Willy também sonha alto. Iniciando sua carreira como treinador, ele pretende se firmar nesta área e deseja treinar em uma equipe internacional no futuro “Depois do Mundial temos os campeonatos que a BRAVO! participa. Pretendo treinar muito por conta própria para minha evolução pessoal no esporte, focar na minha carreira como treinador e quem sabe algum dia conseguir comandar uma equipe internacional.”. 

PATROCÍNIO
Como a seleção brasileira não conta com patrocinadores, os atletas precisam arcar com os custos de competir, que ultrapassam R$ 10 mil. Para cobrir esse valor, eles vendem rifas e aceitam doações de interessados em apoiar o esporte local. Para contribuir, basta entrar em contato pelo telefone (34) 99178-0657.


*Aprimoramento profissional










 
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