27/08/2017 às 05h56min - Atualizada em 27/08/2017 às 05h56min

Com Uberlândia no coração

ALBERTO DE OLIVEIRA* | COLUNISTA

O Arraial de Nossa Senhora do Carmo e São Sebastião da Barra, do qual se originou a cidade de Uberlândia, fundado em 1846, “ficava à beira de um caminho”... Essa via primitiva partia da rica região do Alto São Francisco, no oeste de Minas (onde fica hoje o município de Patrocínio), margeando as serras da Mata da Corda e Canastra, em direção ao sudoeste da capitania de Goiás que dominava essa vasta região totalmente selvagem, terminando no Arraial das Abóboras – Rio Verde, Goiás. Quando aqueles bravos pioneiros cuidaram de rasgar o peito da terra virgem, trazendo a água do córrego Cajubá – ou Galinhas, como era chamado a princípio –, passando por rego a céu aberto em uma área plana até onde hoje se encontra a histórica praça Cícero Macedo, nenhum deles sonhava que a pequena comunidade que então construíam viria, tempos mais tarde, necessitar de ou mesmo exigir outros ingentes esforços pela captação das águas do formoso rio Uberabinha. 

Embalados em seus sonhos por conquistas para o lugar aprazível e escolhido para viver, não tinham eles pretensões assim tão altas como hoje, nesses novos tempos de aspirações maiores e tecnologia avançada, quando já estamos vendo fluir ingentes esforços para aproveitamento das águas do fabuloso rio Araguari. Segundo diz a história, “a água trazida por aqueles abnegados pioneiros corria dias e noites nos reservatórios improvisados e era levada às casas primitivas para a serventia de seus moradores, porquanto, além de sua brancura e de suas excelentes propriedades minerais, trazia ela reconhecida prosperidade para o lugar”. Lugar para eles, para nós uma cidade que começava a brotar nesse chão-planalto de fertilidade imensa, enfeitado pela exuberante beleza de seus cerrados ainda virgens, com suas árvores retorcidas, o verde-esperança nas restingas de matas e suas variadas espécies de vegetação. 

Havia, de fato, um caminho cheio de perigos e mistérios, caminho por onde passavam aventureiros, pessoas de tropas e boiadas, assim como os temíveis índios caiapós. Adiante, estava uma bela e promissora planície. Ali, os pioneiros fortalecidos na fé e persistência incomum ergueram uma capela para orações e levantaram, à porta, um cruzeiro. Estava, assim, estabelecida uma caminhada para o mais alto progresso, pois, antes, surgia um pequeno lugarejo; depois, um arraial, para então surgir uma pequena, mas saudosa Uberabinha, até que se deu a eclosão dessa portentosa e progressista Uberlândia de todos nós. 

Mencionando agora aqueles pioneiros intrépidos, conscientes e predestinados, citamos João Pereira da Rocha e Felisberto Alves Carrijo (ou Carrejo), os primeiros a pontuar terras e criar sesmarias nesse dadivoso chão-planalto. Depois vieram as famílias Dias, Martins Ribeiro, Alves de Amorim, Cota Pacheco e Carvalho. Vejamos: a bela cidade de Uberlândia está localizada no coração do Brasil e do continente sul-americano, no oeste do Estado de Minas Gerais. Não seria muito dizer ser ela um polo gerador e exportador de riquezas, por ser Uberlândia, também, a comandar o desenvolvimento progressista nessa privilegiada região. Rica em possibilidades como em alternativas de investimentos, a região do Triângulo Mineiro abrange um mercado consumidor com milhões de consumidores, conferindo, então, à cidade de Uberlândia – por força de sua estratégica localização e de seu acentuado ritmo de progresso –, um elo entre os grandes centros urbanos e o interior do país. 

Contando hoje com cerca de 770 mil habitantes e com uma economia forte e diversificada, o município de Uberlândia é, sem sombra de dúvida, o principal polo desta região, apresentando crescimento econômico e mantendo indicadores de vida não usuais em países em desenvolvimento, como o Brasil. “Quem não entender essa cidade como polo gerador e exportador de riquezas, das duas uma: ou deve estar doente do pé, ou bom uberlandense não é!”.

(*) Jornalista

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