10/05/2022 às 08h00min - Atualizada em 10/05/2022 às 08h00min

César Bombonato II

ANTÔNIO PEREIRA
O nosso patrono Bombonato
Até 1993, Bombonatto ocupou diversos cargos de chefia e liderança e realizou vários cursos no Brasil e no exterior de forma sempre exemplar. Voluntariamente, e selecionado após oferecer-se, foi admitido, em 1993, na Força de Paz da ONU como Observador Militar em Missão de Paz na Iugoslávia, logo após o grave e sangrento conflito lá deflagrado. Lá serviu perigosamente em diversas regiões. E por sua destacada atuação foi designado chefe dos Observadores Militares para a zona de Bihac, região muçulmana, cercada por forças sérvias – onde as atividades bélicas foram das mais intensas. Comandou aí, três equipes compostas por 28 oficiais de diversas nacionalidades e mais 14 intérpretes. Com o efetivo reduzido à metade, seu grupo era incumbido das mais variadas ações como o levantamento das ações militares na área, negociar a passagem para os comboios humanitários e o provimento de condições para a troca de prisioneiros feridos e mortos na luta entre as facções. Em novembro de 1994, a região de Bihac teve suas fronteiras fechadas e todo o grupo do major Bombonatto ficou retido no seu interior como reféns. Segundo o capitão aviador Ricardo Ayres Nachmanowicz, “durante uma pesada campanha ofensiva desfechada pelos sérvios contra o bolsão de Bihac, os integrantes da ONU foram obrigados a trabalhar, sem qualquer descanso, uma média de 16 horas diárias, durante mais de 80 dias, sob regime de alimentação unicamente à base de rações de combate e uma condição de “stress” e perigo, até então desconhecida. Várias patrulhas foram alvo de fogo direto de artilharia, de morteiros, de tanques e de armas leves.”
 
No inverno tudo piorou com os meios de comunicação degradados e a falta de combustível. Só no final de janeiro, pode-se respirar aliviado e o major Bombonatto só pode entregar seu cargo dois meses após o término previsto para a sua missão. Em 1995, o já tenente coronel aviador César Bombonato e outros oficiais brasileiros feitos reféns na ex-Iugoslávia receberam do presidente da república a condecoração da Ordem de Rio Branco. Por seu desempenho no comando da missão da ONU, Bombonatto recebeu a Medalha da ONU e a Comenda do Comando da ONU na UNPROFOR (Força de Proteção das Nações Unidas). Foi o único brasileiro, até o seu falecimento, a receber aquelas atribuições da ONU.
               
Serviu, após seu regresso, no COMGAR, fez a ECEMAR e foi designado para comandar o esquadrão Adelfi. Ele teve a honra de comandar a primeira unidade da FAB a participar do exercício RED FLAG, manobra que se realiza nos Estados Unidos num ambiente de guerra muito próximo da realidade.
 
O tenente-coronel César Bombonato morreu no dia 24 de julho de 1998 quando seu avião caiu no mar. Era meio-dia. Os pilotos veteranos da FAB, que lutaram na Itália, concederam-lhe o título de Jambaque Honorário. O COMAR de Recife concedeu-lhe o Mérito Aeronáutico pós-mortem no dia 23 de outubro de 1998. O hangar dos AMX de Santa Cruz recebeu o seu nome. O Chefe do Estado Maior da Aeronáutica na ocasião, Tenente Brigadeiro do Ar Jaeckel, escreveu, a seu respeito: “A Caça perdeu um “Príncipe dos Ares”; as Belas Artes perderam um artista; eu, infelizmente, perdi um amigo.”
 
Fontes: Neuza Bombonatto, Alexandre Paiva Vidal, Antônio Donizetti Sávio.


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