08/03/2022 às 08h29min - Atualizada em 08/03/2022 às 08h29min

​8M, Com a Cara e a Coragem: transformar vidas mineiras melhora Minas

Por Cláudia C. Guerra, vereadora de Uberlândia
Há controvérsias sobre a origem da comemoração do Dia Internacional das Mulheres. A versão mais conhecida relembra a data em que 129 mulheres foram queimadas vivas em uma fábrica americana, no ano de 1857. Outras relatam as lutas de pioneiras pelos direitos da mulher trabalhadora, que ousavam requerer condições de vida e trabalho mais justas. A data de 8 de março foi oficializada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1975.      
         
Em 2022, muitas mulheres ainda precisam lutar pela não violência, exercício pleno e livre de sua sexualidade, igualdade de direitos e oportunidades em todos os setores, divisão das tarefas domésticas com seus companheiros e familiares, responsabilização do casal na educação das crianças e adolescentes, igualdade salarial no trabalho, ocupação em cargos de chefia e atuação política, entre outras. Não são mais queimadas vivas por fazerem oposição às práticas históricas de exclusão e descaracterização, pelo fato de serem mulheres. Várias possuem garantias e vivem em um mundo melhor, graças às conquistas de mulheres do passado.   

O Dia Internacional da Mulher é uma data para reflexão de homens e mulheres sobre suas práticas e discursos enquanto cidadãs e cidadãos, na construção diária do social que objetive a convivência cordial, tolerante e respeitosa, mesmo que permeada por conflitos. Ao ser retomada a data, não se trata de repetir o passado, mas de realizar sonhos e esperanças.
Devido às construções socioculturais e históricas que traduzem diferenças em desigualdades entre femininos e masculinos, ainda cabe a muitas delas, graças a não distribuição das tarefas familiares, de modo generalizado, a tripla jornada de trabalho, acumulando afazeres domésticos, o cuidado com crianças e adolescentes, idosos(as), pessoas com deficiências, com doenças raras e doentes.  

Apesar de sermos a maior parte da população, das eleitoras e muitas atuarem como “tarefeiras”, na política os cargos de poder e de decisão são desproporcionais e estamos sub representadas com somente 16% dos cargos legislativos ocupados por mulheres. Na área de saúde, há o desafio de aperfeiçoar o fluxo de atendimentos da rede, no trato de casos de violência sexual, notificações compulsórias e atuação adequada nos casos de estupros com previsão legal de escolhas sobre como proceder, mediante gravidez decorrente.  

Outro aspecto de destaque está no alto índice de violência conjugal, familiar e de gênero, onde a demanda, predominantemente feminina, ainda é sujeita a infraestrutura e recursos humanos insuficientes por parte de profissionais que atendem e precisam de formação permanente, para serem encorajadores(as) da busca de ajuda. 

Na rede de apoio à violência conjugal e doméstica, são necessárias abordagens que superem o retrabalho, e os pré-julgamentos generalizados. “Por que ela simplesmente não vai embora?”, ainda questionam algumas pessoas. Outro aspecto é a revitimização, quando a mulher precisa recontar a história por onde passa, com “rota crítica/via crucis” e, portanto, a violência institucional. Quem contribui pra isso ainda não compreendeu a complexidade que é viver a violência com alguém próximo, onde foram investidos, sonhos, filhos(as), afetos. 

Ainda existe a objetificação feminina em campanhas publicitárias e por meio de assédios e abusos sexuais em espaços variados: ruas, transportes públicos, ou em festas de universidades e faculdades. São sutis ou mais explícitos o tratamento desigual por parte de alguns(mas) comunicadores(as), especialmente da área política, ao se referirem a comportamentos femininos, nos quais em situações do debate de ideias, ou de discordâncias entre mulheres, os homens em situações similares não são destacados, nem rotulados. Uma escolha de comunicação sexista e sensacionalista que em nada contribui para o exercício de direitos e tão pouco para a desnaturalização das desigualdades.   

Em Uberlândia, vislumbra-se, com articulação das atuais vereadoras e a juíza da família, a criação do Juizado Especial Criminal e Civil, como prevê a Lei Maria da Penha (Lei 11.340 de 2006) para operacionalizá-la adequadamente. Caso isso se concretize, ganharão as mulheres e o restante da comunidade.   

Nossa programação para o 8 de março tem como tema Dia Mulheres Virão. Há projetos de leis de promoção às mulheres para serem apreciados; homenagens a mulheres que se destacam na cidade ou no Estado; mulheres na política, no mercado de trabalho, em funções construídas tradicionalmente como masculinas. Faremos na Câmara, durante a semana, jogos interativos, mostra de fotos históricas do movimento de mulheres local. No 8M um ato unificado dos coletivos de mulheres,  na praça Central 17h e, no dia 26/03, estaremos no Quintal 101, 15h, comemorando as conquistas.   
        
Sabemos que transformar a vida das mulheres melhora todas as vidas. E que transformar vidas mineiras melhora Minas. Queremos fazer prevalecer e avançar direitos, políticas públicas cotidianas, com destinação de recursos humanos e financeiros, entendendo-os como investimento social. Assim, quem sabe, no futuro, o dia 8 de março seja somente uma data para celebrar e rememorar.



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