28/07/2021 às 08h00min - Atualizada em 28/07/2021 às 08h00min

Lugar de estudante é na escola!

Anderson Lima – vereador, diretor escolar e professor
O segundo semestre do ano letivo começa nos primeiros dias de agosto e a grande expectativa de educadores, pais e alunos é a volta às aulas presenciais. O Brasil é o recordista no período de escolas fechadas. De acordo com uma reportagem do Jornal Nacional, exibida em 21 de julho, a média mundial de escolas fechadas é de 5,5 meses, na América Latina, 10 meses, e no Brasil já são 13 meses.

Os prejuízos pedagógicos, sociais e emocionais são incalculáveis. O retrocesso é de 20 anos, já que em 2020, cinco milhões de crianças não tiveram acesso à educação. Esse número é o mesmo do ano 2000. Para comprovar esse déficit, o estudo Perda de Aprendizagem na Pandemia, uma parceria entre o Insper e o Instituto Unibanco, estima que, no ensino remoto, os estudantes aprendem, em média, 17% do conteúdo de matemática e 38% do de língua portuguesa, em comparação com o que ocorreria nas aulas presenciais.

Em relação a motivação dos alunos, o mesmo levantamento do Insper aponta que o grau de engajamento entre estudantes do ensino médio da rede estadual no ensino remoto foi de 36% em 2020. Ou seja, apenas pouco mais de um terço da jornada de 25 horas semanais prevista e ofertada foi assistida. Muitas famílias não têm como participar das atividades remotas por falta de acesso à tecnologia.

Sobre os prejuízos em relação a saúde mental, o estudo feito pela Conjuve, que ouviu cerca de 68 mil jovens de 15 a 29 anos, aponta que 6 a cada 10 entrevistados relatam ansiedade e uso exagerado das redes sociais; metade deles sente exaustão ou cansaço constante; 4 a cada 10 têm insônia ou tiveram distúrbios de peso e um a cada 10 já pensou em suicídio ou automutilação.

Todas as dificuldades convergem para um triste dado, o crescimento da evasão escolar no período pandêmico.  No relatório Enfrentamento da Cultura do Fracasso Escolar, elaborado pelo Fundo de Emergência Internacional das Nações Unidas para a Infância (Unicef), o número de jovens que pensou em desistir de estudar durante a pandemia cresceu 28% em 2020 para 43% em 2021. De acordo com reportagem publicada pela Agência Senado, 6% deixaram os estudos neste ano. Entre os motivos, a dificuldade financeira alcança 21%, e a dificuldade de se organizar com o ensino remoto, 14%. O relatório também aponta que, em um ano, o percentual de jovens que estão sem estudar cresceu de 26% para 36%. Essa evasão escolar custa cerca de R$ 220 bilhões por ano para a economia do país e ainda apresenta um impacto na redução da expectativa de vida do jovem que está fora da escola.

Em Minas Gerais, alguns municípios retomaram em junho as aulas no sistema híbrido. Em Uberlândia, escolas particulares, municipais e estaduais estão com aulas no sistema híbrido. Como diretor de uma escola particular na cidade e também como professor sei que há muito esforço e empenho por parte das instituições para que todas as normas de biossegurança sejam cumpridas. A educação é uma das bandeiras do meu mandato como vereador, porque acredito que a educação é uma ferramenta poderosa de transformação social.

O ministro da Educação, Milton Ribeiro, em 20 de julho, disse que é hora de voltar às salas de aula e garantiu que as escolas são um lugar seguro. A afirmação também é ratificada pelo Conselho Nacional de Educação. Pesquisa feita pelo Jornal Nacional mostra que o segundo semestre de 2021 vai exigir uma mudança grande na educação, pois 85% das escolas estaduais do país estão funcionando de forma remota, 15% estão no sistema híbrido e 1% no sistema presencial.

Para reverter esse quadro de perdas será preciso um investimento maciço em políticas de inclusão produtiva, de proteção social, saúde e acolhimento psicológico. É preciso investir na educação pública para que as desigualdades entre o ensino público e privado sejam diminuídas. É importante ressaltar que o lugar de estudantes é nas escolas!



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