11/06/2021 às 12h43min - Atualizada em 11/06/2021 às 12h43min

​Meus preferidos

ALEXANDRE HENRY
Vamos começar deixando as coisas claras. Sim, eu fui mordido por um cachorro quando eu tinha cinco anos de idade, doeu muito, cortou meu queixo, tive que ir para o hospital e, para piorar, tomei a dolorida vacina contra a raiva e mais algumas injeções por vários dias. Esconder esse marco na minha relação com os caninos não seria honesto para uma conversa como essa. Mas, por outro lado, isso não me impediu de, na infância, ter pelo menos dois cachorros como bichos de estimação. Assim, acho que posso passar ao tema principal do meu texto.
 
Eu prefiro gatos.
 
Deixei a frase compondo sozinha um parágrafo para deixar bem claro que, realmente, eu prefiro gatos. A mordida no queixo lá na infância pode até ter alguma coisa a ver com isso, mas não é dela que eu me lembro quando coloco na balança minha relação afetiva com bichos de estimação. Gosto mais dos felinos por questão prática e olfativa. Quanto a esta última, é algo bastante simples de se entender.
 
Cachorro é bicho fedido e ponto final. O bafo dele fede, a baba fede, tudo dele fede. Você pode até não se importar com o cheiro, mas a mim aquele odor incomoda bastante. Se tiver acabado de tomar banho e mantiver a boca fechada, até que dá para fazer um carinho sem ter que sair correndo para lavar a mão.
 
Fora isso, não rola. Já o gato é bastante simples. Pode-se criticar aquela mania de se lamber todo o tempo inteiro, mas é certo que sua mão não fica cheirando mal quando você dá uma coçada em um bichano. Eu sei que o bafo não é lá essas coisas, mas você nunca viu perto de você um gato respirando forte com a boca aberta e a língua para fora. Isso ajuda a conter o odor bucal desagradável.
 
Ainda falando dessa parte olfativa, puxo um acontecimento de dois ou três anos atrás. A minha filha ganhou uma cachorrinha de presente, acho que daquela raça shih-tzu, e a bichinha ficou cerca de três meses na minha casa. Desde o primeiro instante, era urina e cocô por tudo quanto era canto. “Ah, é só você colocar um jornal que ela faz em cima!” – viviam me dizendo. Colocava e nada. Comprei vasilha específica para cachorros, cheirinho para adestrar, fiz tudo quanto é mandinga e a danada continuava empesteando o apartamento todo.
 
E o gato? Bom, tivemos gato em casa até 2014, quando nosso último persa faleceu. Ficamos sem bichano até o final de 2019, quando cedi e deixei entrar em nossa casa um peludão para alegrar a minha filha. Sabe quantas vezes tive que limpar xixi e cocô dele no chão até hoje? Nenhuma. Desde o primeiro instante, ele usou a caixinha de areia para tudo.
 
Tem a questão da praticidade. A tal cachorrinha que ficou na minha casa e logo se foi, porque danou a morder a minha filha, precisava de alguém para passear com ela todos os dias. Aliás, vejo isso sempre. É domingo, às vezes um frio danado, e tá lá o sujeito passeando com a cachorrinha seis horas da manhã, porque a benção precisa sair para fazer xixi ou fará pela casa toda (isso quando não começa a latir assim que o sol nasce).
 
Meu gato não me cobra nada disso. De vez em quando, eu abro a porta do apartamento, ele olha lá de fora, pensa se vai querer sair e, se por acaso resolve colocar os pés para fora de casa, vai até a porta do apartamento vizinho, dá uma cheirada e volta. Eu saio de manhã e ele fica dormindo. Quando eu volto, no final do dia, ele continua dormindo ou, quando muito, vem me receber na porta de forma tranquila, sem me derrubar ou me sujar todo.
 
Se você prefere cachorros, tudo bem. Mas, não fale mal do gato antes de conhecê-los. Quem não conhece acha que gato vive isolado no mundo dele, mas não é bem assim. Ele dá atenção (quando quer, claro), fica perto de você, adora carinho, faz companhia e coisa e tal. Essa história de que ele gosta é da casa, não do dono, é mentira. Ele gosta de ser bem tratado, o que inclui comida e umas coçadas, não muito mais do que isso. Quem faz isso por ele tem seu coração. É evidente que você não vai ter a companhia do seu gato em um passeio no shopping, mas quem precisa levar um bicho para fazer compras? Se for um passeio na rua, por outro lado, muitos gatos acompanham seus donos, sim, desde que tenham sido acostumados a isso.
 
Eu poderia passar o dia todo falando das qualidades felinas, mas paro por aqui. Como eu disse, respeito a grande maioria da população que ama os cachorros e até reconheço que eles são companhias bacanas. Só não gosto do preconceito que muitos guardam contra os gatos, os quais são, na minha modesta opinião, os melhores animais de estimação. Duvida? Tenha um e você verá!
 
 
*Este conteúdo é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.
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