14/05/2021 às 19h45min - Atualizada em 14/05/2021 às 19h45min

De que vale?

IARA BERNARDES
Foto: Pexels
Estava eu aqui pensando esses dias: vale mesmo morrer em vida? Ficar enterrado com medo de um vírus, com medo de estar debaixo de sete palmos de terra e não viver nem um pouquinho que seja? Então me recordei de uma música do Falamansa que dizia assim: “Zeca violeiro não fazia o que queria, tinha medo de morrer/ Zeca sabia, todo mundo morre um dia/ Quase sempre ele dizia:/ Antes todos do que eu”. Por fim Zeca morreu foi de solidão, talvez a pior das mortes.

Mas por que eu trouxe isso hoje? Tenho visto tantas pessoas em casa, escondidas de um vírus mortal, que só de pensar em ver a luz do sol acredita que se corre o risco de o contrair e deteriorar-se em poucos segundos. Pessoas jovens, instruídas, fisicamente saudáveis, mas emocionalmente completamente destruídas, consumidas por ideologias vindas para os enfraquecer espiritualmente e socialmente. E me pergunto: vale mesmo se proteger tanto assim? Perder momentos importantes de seus familiares e seus próprios?

Não venho aqui negar a situação mundial da saúde, isso é inegável, no entanto, quero propor essa reflexão sobre do quanto se perde quando o medo toma conta, um pânico que lhe impede a própria vida, enquanto milhares de pessoas seguem vivas, trabalhando, estudando, se divertindo e ainda assim se cuidando, mantendo a si e aos seus saudáveis de muitas maneiras, mas principalmente, mentalmente sãs. Afinal, são tempos difíceis em muitos aspectos: políticos, econômicos, sociais... Não seria melhor se vestir de sanidade, colocar a máscara da benevolência e procurar também ser mais leve consigo mesmo?

Digo isso também em relação aos profissionais da Educação, pessoas que se dizem tão preocupadas com o futuro da nação, mas se negam a retornarem às salas de aulas, lugar onde se promove socialização, interação, alegria, aprendizados múltiplos e vivências únicas para crianças e adultos. Não consigo compreender o porquê de vários setores estarem ativos presencialmente e as escolas permanecerem fechadas, enquanto tantas crianças estão se consumindo em crises de ansiedade, pânico e depressão em suas casas. Isso sem contar os inúmeros casos de violência doméstica e abusos que seriam coibidos pela escola, mas aqueles profissionais insistem que seus riscos particulares são mais importantes, sobrepondo-se à integridade física, mental e moral dos indefesos.

De que vale tudo isso? Para que viemos a esse mundo se não é para fazer o bem ao outro? Não estamos aqui com a missão de sermos melhores? Até que ponto devemos mesmo nos munir de medo e propagar a insegurança em detrimento do bem alheio?

Na música, Zeca escolheu morrer sem viver, na vida real estamos obrigando os pequenos a sofrerem com muitas variáveis de doenças mentais por puro egoísmo. Nós, adultos, os “responsáveis”, produzindo muitos Zecas, prontos para verem e vida alheia e ainda assim serem tomados pelo temor de viverem as suas próprias.

Esse texto é um apelo para que deixem as crianças viverem e que possamos viver sem medo de morrer em vida.



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