24/04/2021 às 08h57min - Atualizada em 24/04/2021 às 08h57min

Ainda sobre empatia

ALEXANDRE HENRY
Relendo meus textos da época do Jornal Correio de Uberlândia, encontrei um que teve boa receptividade e que talvez permaneça eternamente atual. Tão atual que resolvi compartilhar novamente. Segue o que escrevi em outubro de 2016. Volto depois com mais alguns comentários:

“Você pode até não ter aquele desejo intenso de ser popular, mas certamente deseja, ao menos, que as pessoas ao seu redor gostem de você. O problema é que quase ninguém quer se esforçar para que isso ocorra. É como dinheiro: 99% das pessoas desejam tê-lo, mas apenas uma fração quer encarar o caminho até ele, ou seja, encarar o trabalho duro e cotidiano. Ser querido em seu círculo de convivência também demanda esforço, com a diferença de que esse esforço pode ser bem menor do que o exigido para acumular riqueza financeira. O caminho passa por uma palavrinha mágica: empatia. Se você fizer uma rápida pesquisa, vai descobrir que empatia é, entre outras coisas, um ‘processo de identificação em que o indivíduo se coloca no lugar do outro e, com base em suas próprias suposições ou impressões, tenta compreender o comportamento do outro’. Não é difícil, ao menos em um nível básico.

Alguns tipos de pessoas definitivamente não são agradáveis. Entre elas, destaco os permanentemente críticos e os reclamantes profissionais. Você conhece as duas figuras, com certeza. O crítico permanente está sempre pronto para apontar o dedo para os seus mínimos defeitos e escorregões. Geralmente, faz com que todos tenham conhecimento da ‘falha grave’ por você cometida. Já o reclamante profissional é carta repetida no baralho da vida, pois o que mais tem é gente que só chega perto de você para lamuriar. Nada está bom, nunca. Como diz um amigo meu, depois que inventaram o ‘tá ruim’, para algumas pessoas nada mais ‘tá bom’. Além do crítico e do reclamão, tem também o ranzinza (que pode ser uma mistura dos dois), o insensível, o falso e por aí vai. Toda uma fauna que não sabe o que é empatia.

Ora, empatia não é um processo por meio do qual você se coloca no lugar do outro? Então: quem gosta de ser criticado o tempo todo? Quem gosta de ficar ouvindo reclamações e palavras negativas o dia inteiro? E não é mais agradável alguém que chega sorrindo do que alguém que chega emburrado? Não te causa mais prazer aquele que pergunta como você está e demonstra dar importância para o que você diz? Por acaso não te traz mais prazer estar com alguém que também sabe ouvir ao invés de apenas ficar falando o tempo todo?

Exercite a empatia, coloque-se no lugar do outro, procure entender o que ele sente com a sua presença. Em resumo, desenvolva um pouco a sua inteligência emocional e você verá que a vida se tornará mais tranquila e prazerosa. Não é necessário se preocupar em ficar agradando todo mundo o tempo todo. É apenas ter equilíbrio e evitar certos comportamentos, às vezes inconscientes, que podem afastar as pessoas ao seu redor”.

Fechadas as aspas, cabe dizer que tudo isso comentado em 2016 é ainda mais pertinente em uma época de pandemia, a qual nos obrigou a viver muitas relações apenas pelas redes sociais. Lembro-me de um grupo de Whatsapp do qual eu participava e que tinha como membro um conhecido chato, mas muito chato. O grupo era para coisas leves, mas o cara insistia em postar discussões políticas intermináveis. Pior do que isso, ele tinha uma preferência radical nessa área e era extremamente agressivo com qualquer um que mostrasse ponto de vista diverso. A situação ficou tão feia que muitos acabaram saindo do grupo por causa dele, até que a administradora resolveu que era melhor tirá-lo enquanto havia grupo.

Vejo essa falta de empatia (e de bom senso, claro) cotidianamente no Whatsapp e em todas as redes sociais. Tem gente que não quer ser amado, que não faz a menor questão de ser querido, preferindo apenas chamar a atenção no mais puro estilo “falem mal de mim, mas falem de mim”. Para esses, falar de empatia é perda de tempo. Mas, tem gente que realmente deseja ser mais querido pelas outras pessoas e não consegue, muitas vezes por não perceber que também no mundo virtual é preciso ter atenção ao próprio comportamento para ter uma relação positiva com as outras pessoas.

Sim, empatia e etiqueta nas redes sociais são assuntos muito próximos. Como as nossas relações acabaram indo parar no mundo virtual, é importante que você preste um pouco mais de atenção ao seu agir na internet, vez que muito do que você fizer lá se refletirá em todas as esferas da sua vida, para o bem e para o mal.
 



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