23/01/2021 às 08h30min - Atualizada em 23/01/2021 às 08h30min

Já ouviu falar sobre a anemia falciforme?

TÚLIO MENDHES
A uma doença genética e hereditária, predominante em negros, mas que pode manifestar-se também nas pessoas brancas. Então, quando ouvir alguém explicando o que é essa diagnose, fique tranquilo, porque o coleguinha não está sendo racista, negrofóbico, pretofóbico, “blackphóbico”, etc. Bom, continuemos! A anemia falciforme é causada por uma mutação genética que provoca a deformação dos glóbulos vermelhos.

Para ser portador da doença, é preciso que o gene alterado seja transmitido pelo pai e pela mãe. Se for transmitido apenas por um dos pais, o filho terá o traço falciforme, que poderá passar para seus descendentes, mas a doença não manifesta.

Estima-se que de 60 a 100.000 pessoas vivam com a doença. Assim quero abordar o assunto de um modo mais “popularizado”.

A anemia falciforme se caracteriza por uma alteração nos glóbulos vermelhos, que perdem a forma arredondada e elástica, adquirem o aspecto de uma foice (daí o nome falciforme) e endurecem, o que dificulta a passagem do sangue pelos vasos de pequeno calibre e, consequentemente, a oxigenação dos tecidos. Essa alteração genética, diz respeito à hemoglobina anormal, chamada hemoglobina “S” que é produzida em lugar da hemoglobina normal, a hemoglobina “A”, presente nas pessoas adultas que não apresentam a doença.

A hemoglobina é uma proteína responsável pelo transporte de oxigênio aos tecidos. Ela está presente nos glóbulos vermelhos do sangue, as hemácias. Que por sua vez são células flexíveis e arredondadas que transitam por todos os vasos sanguíneos do organismo sendo encarregadas de levar o oxigênio ligado à hemoglobina. Acontece que quando surgem alterações na hemoglobina podem-se gerar anormalidades nas hemácias comprometendo sua função de transportar o oxigênio.

A hemácia muda o seu formato arredondado para o formato de foice, dificultando a passagem de oxigênio. Isso pode causar obstrução de vasos e má circulação do sangue (micro infartos) em diversos órgãos, que desencadeiam crises de dores e comprometimentos progressivos de diversos órgãos. Importantíssimo saber que a Hemoglobina S pode aliar-se a outras anormalidades da hemoglobina, como as hemoglobinas C, D, Beta Talasemia, etc, gerando outras condições, todas elas sintomáticas.

E falando em sintomas, os mais comuns são: anemia, febre, crises de dor, icterícia (olhos amarelos) e risco aumentado de infecções. As crianças menores de dois anos sentem dores e inchaço nas mãozinhas e nos pés. Já os menores de seis anos é “comum” o inchaço do baço chamado de sequestro esplênico. Mais tarde na adolescência e fase adulta é “comum” a ocorrência de alterações no funcionamento dos pulmões, rins e no coração. Contudo, todos esses sintomas podem ser controlados com o tratamento adequado. Portanto, existe sim a possibilidade de minimizar possíveis sequelas.

Por isso é extremamente importante à realização do teste do pezinho realizado na triagem neonatal, preferencialmente entre o 3º e o 5º dias de vida. Esse teste é realizado gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Paras as crianças acima de quatro meses e os adultos que não realizaram o teste do pezinho, o diagnóstico é feito através de um exame chamado Eletroforese de hemoglobina.

O tratamento adequado baseia-se na prevenção da doença como manter em dia o calendário de vacinas. Para tratar as crises de dor é feita a administração de analgésicos e hidratação, podendo ser realizadas em casa ou na unidade de saúde dependendo da gravidade. Para as demais complicações, a pessoa deve procurar prontamente o serviço de saúde. Lembrando, a doença Falciforme pode se manifestar de forma diferente em cada pessoa. Uns tem apenas sintomas leves, outros apresentam sinais e sintomas de maior gravidade que podem reduzir a expectativa de vida.

O SUS oferta gratuitamente opções para o diagnóstico e tratamento, inclusive o transplante de medula para pacientes que demandam dessa conduta médica. Dentre os medicamentos que podem ser acessados gratuitamente nas unidades de saúde estão: ácido fólico, analgésicos, anti-inflamatórios, quelantes de ferro, imunobiológicos especiais e de antibioticoterapia. Também está disponível o exame preventivo de Doppler Transcraniano que identifica o risco de AVC em pessoas de 2 a 16 anos.
Observação: Todos os estados brasileiros possuem pelo menos um centro especializado para atender a pessoa com Doença Falciforme. É muito importante que tanto as famílias quanto o paciente sejam bem orientados para que todas as possíveis alterações sejam detectadas precocemente para serem tratadas. Bom, pra hoje é isso, até o próximo sábado.


Esta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.
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