24/12/2020 às 08h00min - Atualizada em 24/12/2020 às 08h00min

Nosso mandato: retrospectiva e esperança

ADRIANO ZAGO | ADVOGADO E VEREADOR

Não quero que este balanço ou retrospectiva dos meus três mandatos soem como saudosismo de um parlamentar que ora deixa a Câmara Municipal de Uberlândia. Nem que seja uma mera prestação de contas do que foi feito durante esse período, no qual uma parcela da população, desta amada cidade, depositou em mim, através do seu voto de confiança.

Uberlândia me viu nascer e crescer. Me lembro ainda garoto, de calças curtas, andar por suas ruas, indo à escola, frequentando a Igreja, o trabalho e, um enorme orgulho enchia minha alma de viver com outras milhares de pessoas nesta acolhedora terra. Em minhas andanças ficava pensando em como retribuir a essa cidade o que ela havia me dado: estudo, trabalho, uma família – a de onde eu vim e a que constitui com minha esposa, um filho e uma filha – e às inúmeras e fiéis amizades que fiz desde a mais tenra idade.

O curso de Direito despertou-me a possibilidade, por meio da política, de contribuir para tornar Uberlândia uma cidade inclusiva, sustentável e, sobretudo mais humana. Mas como? Com coragem e determinação lancei minha candidatura à Câmara Municipal, em 2008 e fiz uma campanha boca a boca, conversando com milhares de pessoas. Logrei êxito, embora ao longo do caminho encontrei ceticismo em relação à política mas também muito apoio, o que me fortaleceu e colocou no meu coração o anseio de gratidão pela cidade.

Durante os três mandatos, honrei cada voto de confiança em mim depositado, legislando com base em princípios éticos e republicanos apresentando projetos de lei, que se transformaram em leis e que puderam contemplar o desenvolvimento do município de Uberlândia. Ao mesmo tempo, minha postura em relação ao parlamento e aos meus pares foi de respeito inconteste, tratando a todos e todas, incluindo a equipe de funcionários (as) do legislativo com o mais profundo respeito e fraternidade.

Levamos para o debate parlamentar temas extremamente relevantes e procuramos inserir variados segmentos da sociedade em nossos “Cafés com o Vereador”, nas audiências públicas e nos inúmeros eventos que realizamos, como seminários e palestras com temática polêmicas e algumas delas consideradas de “somenos” para o poder público, como: a situação dos imigrantes e refugiados em Uberlândia; indígenas não aldeados vivendo na periferia da cidade em condições de extrema pobreza e miserabilidade; animais de rua e seu abandono por falta de políticas protetivas quer para eles ou para seus tutores (as); o transporte público precário e insuficiente para a mobilidade de milhares de trabalhadores (as) cotidianamente; a falta de leitos nas unidades de saúde; a falta de creches; a violência obstétrica, muitas vezes camuflada em procedimentos médicos; população em situação de rua; a população encarcerada e, outros temas relevantes, sempre relacionados aos Direitos Humanos e à Justiça Social.

Nosso mandato economizou mais de R$ 1,5 milhão de verba, quer por não termos preenchido o número total de assessores (as) destinado ao mandato e, também, por temos economizado a denominada verba indenizatória para a manutenção dos trabalhos no gabinete ao longo destes 12 honrosos anos. Doamos mais de R$ 200 mil de salário, desde 2013, para cerca de 30 instituições que desenvolvem importantes trabalhos sociais em nossa cidade. Assim fizemos por não concordarmos com o aumento nos proventos dos parlamentares, aos quais sempre votamos contra, pois consideramos abusivo frente ao salário mínimo vigente no país.

Inúmeras representações contra atos arbitrários do poder executivo foram protocoladas junto ao Ministério Público considerados lesivos à população uberlandense e, sendo vitoriosas, minimizaram os efeitos perversos quer da ganância do poder executivo ou de empresas por ele apadrinhadas.

Ao final, embora tendo a certeza que fizemos o melhor pela cidade, no fundo do coração fica o desejo de ter feito muito mais. Estarei fora do poder, mas como cidadão me manterei vigilante, fiel aos princípios éticos, republicanos e democráticos, com os quais sempre pautei o mandato da vereança.

Uberlândia, “joia da minha afeição”, conte comigo, como um filho dileto que a ama e respeita a sua gente. Que o espírito natalino, ainda que afetado pelas circunstâncias, nos permita refletir sobre o que aprendemos diante da pandemia de Covid-19. Meus sinceros sentimentos aos que, assim como eu, perderam entes queridos. Sigam mantendo os cuidados, ainda não é hora de baixar a guarda.

Um Feliz Natal e um Ano Novo repleto de saúde, paz e sabedoria.

Até breve!

*Este conteúdo é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.


 

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