01/12/2020 às 08h00min - Atualizada em 01/12/2020 às 08h00min

Sebastião Capparelli me contou

ANTÔNIO PEREIRA

Conversei muito com o saudoso Sebastião Capparelli. Me contava muita coisa. Por exemplo: “Os italianos que se destacaram aqui foram: O Sílvio Rugani que trouxe uma indústria de telas de arame. Ele sabia fazer projetos industriais. Era homem muito inteligente, de uma família muito boa. Lembro também dos Crosara que trouxeram a fundição, fábrica de arados, todo tipo de coisas para agricultura. O sr. Anselmo Crosara trouxe para cá uma coisa interessante, a niquelação e a galvanização que naturalmente atraiam pessoas de fora que precisavam desse serviço. Depois veio a família Pelizer. Ainda hoje existe o sr. Gino Pelizer. Tinha outras famílias, como os Felice, seu Felice era um grande alfaiate, ele era até demais para Uberlândia. Tinha os Finotti que trouxeram as indústrias de madeira, marcenaria, alfaiataria.

A alfaiataria do Felice era onde é o Bazar Oriental, na avenida Afonso Pena. O nome dele era Eduardo. Era bom alfaiate e vestia-se com muita elegância. Os Finotti tinham alfaiataria ali em frente ao Bradesco (av. Afonso Pena). Aquele prédio foi ele que construiu, depois vendeu para o sr. Elias Simão.

O Brasil ainda importava enxadas, machados, facões, foices da Inglaterra e outros países da Europa. Então o sr. J. Siquierolli fazia essas coisas todas. Quando terminou a guerra, ele foi chamado a São Paulo para produzir isso lá. Uma das maiores fábricas de peças para automóvel, SIQ, foi ele que deu origem a essa fábrica. Tem um outro ramo dos Siquierolli que até há pouco tempo produzia barcos, aparelhos de gasogênio. Eles eram capazes de produzir aquilo que você pudesse imaginar. E tinha o Vitório que tinha uma chácara lá perto do Distrito Industrial, do lado esquerdo do bairro Cruzeiro do Sul. Tinha um rego d’água muito grande que tocava a indústria dele. Com molas de caminhão ele produzia foices e uma peça de base para se colocarem os arreios nos animais. Era um homem capaz de fazer o que você pedisse na forja. Ele era uma bondade. A mulher dele fazia doces de toda qualidade. Você chegava na casa dele você comia doce até se fartar. Ele adotou muitas crianças.

A maioria dos italianos veio de Conquista para cá. A fábrica de Guaraná Mineiro, era do Zago. Eles vieram de Conquista. Fez o maior sucesso. Depois eles se adequaram para produzir o Guaraná Antárctica. Teve outros fabricantes de guaraná italianos. Não me lembro dos nomes.

Conheço outros mais antigos como Turbiano, Bailoni. O Bailoni era construtor. Adriano. Del Favero construiu a prefeitura, fez uma porção de prédios aí que eu não sei mais onde estão. Ali na Prefeitura não tem nenhum ferro e aquela arquitetura não vai perder nunca aquela beleza. O Schiavinatto por exemplo, ele era pedreiro quando chegou aqui. Quando o Vasconcelos (Costa) veio para cá, ele trouxe os calçamentos com pé de moleque. A enxurrada quando vinha levantava aquilo tudo. O seu João Schiaviantto foi chamado para fazer uma base encostada à calçada para passar água. Chegou a ser um grande comerciante. Tinha a fábrica de macarrão do sr. Francisco Galassi, pai do Virgílio. Onde é a loja do MIG. Era uma fábrica boa. Não me lembro bem da época.

O Spirandelli começou com conserto de bicicletas. Ali mesmo em frente ao Juca Ribeiro. Era uma pequena oficina. O Silvestrin, eu não me lembro bem. Ele era vizinho do Anselmo Crosara. Eles tinham negócios parecidos. Trouxe muita coisa de mecânica para cá, mas eu não tenho muita certeza.”
 
Trecho de entrevista com o sr. Sebastião Capparelli, no dia 12 de novembro de 1998

*Este conteúdo é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.

 

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