13/11/2020 às 08h00min - Atualizada em 13/11/2020 às 08h00min

Perdemos o Breda

CELSO MACHADO
De uma forma tão brusca e repentina perdemos uma figura marcante. Amiga, disponível, solidária, colaborativa. Gentil e calmo ele chegou em Uberlândia e conquistou espaços como poucos.

Veio como bancário e depois se tornou empresário. Participou das mais diversas instituições da cidade. Foi diretor do CDL, da ACIUB, do Rotary, do Praia Clube, da União das Empresas do Distrito Industrial (Unedi) e com certeza outras instituições que nem fiquei sabendo. Quando alguma buscava uma pessoa séria, dedicada, fácil de lidar o convocava. Prestativamente ele aceitava.

Conheci o Breda ainda nos seus tempos de banco. Depois comecei a conviver mais com ele nas vezes que ia a famosa mesa um comandada por Cícero Naves às quartas-feiras no Praia. 

Quando foi convidado a fazer parte da diretoria do clube nosso relacionamento se estreitou e verdadeiramente se tornou meu amigo. Quando lancei o almanaque Uberlândia de Ontem e Sempre, a partir da edição número 5 fiz todas as demais com ele, ao todo 13. Também duas do almanaque Uberlândia S.A e praticamente todos os impressos das minhas diversas incursões gráficas. A confiança no seu trabalho era tamanha que não me preocupava com a entrega que era sempre feita no horário e local de lançamento. Pontualmente e com qualidade.

Logo que assumi o Top of Mind com o encerramento do jornal Correio tive nele um parceiro valioso, sempre presente nos eventos, sempre solidário nas visitas, sempre contributivo nas sugestões e apoio.

Gostava da sua companhia pela forma sempre agradável com que me tratava, com seu bom humor e descontração, com a atenção autêntica que sempre me dispensava.

Com a pandemia o isolamento recomendado para dois “menos jovens” como ele e eu, não o encontrei.

Fiz um convite para me acompanhar como sempre fazia nos contatos com os homenageados da premiação Uberlândia S.A. Me causou estranheza ele ter aceitado o primeiro deles e em cima da hora quando ia apanhá-lo ele avisou que não poderia ir por compromissos de última hora. Mais recentemente por volta de duas semanas liguei para ele por questões profissionais e fiquei surpreso com a voz embargada com que conversou comigo. Perguntei o que estava acontecendo e ele respondeu que achava que estava com “aquela doença”. Desatento pensei que estava se referindo a Covid-19. Respondi que muita gente já tinha passado por isso que levantasse o astral e enfrentasse a realidade. Ele melhorou o tom e disse que estava otimista.

Só na terça, dia 3 fiquei sabendo da realidade. Passei um WhatsApp me desculpando pela desatenção e abordei assuntos que pudessem lhe confortar.

Aí tudo aconteceu velozmente e na segunda passada faleceu. Nem dá para acreditar. Muito triste não ter mais um amigo assim, a cidade uma pessoa como ele, a família então nem dá para imaginar a dor que estão sentindo.

Perdemos o Breda, mais uma peça valiosa nessa engrenagem que é a vida. Uma peça difícil de encontrar e muito mais ainda de repor! Ficam as lembranças, os exemplos, a saudade, tantas e tão boas histórias.


*Este conteúdo é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.
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