31/10/2020 às 08h00min - Atualizada em 31/10/2020 às 08h00min

Infarto do Miocárdio: sintomas e causas da doença

TÚLIO MENDHES

Sempre ouvimos sobre alguém que sofreu infarto do miocárdio (ou ataque cardíaco). Afinal o que é um infarto do miocárdio? Bom... resumidamente, é a necrose (morte) de uma parte do músculo cardíaco causada pela ausência da irrigação sanguínea que leva nutrientes e oxigênio ao coração. Na maioria dos casos, o infarto ocorre quando há o rompimento de uma dessas placas, levando à formação do coágulo e interrupção do fluxo sanguíneo, levando a diminuição da oxigenação das células do músculo cardíaco (miocárdio). O infarto pode ocorrer em diversas partes do coração, depende de qual artéria foi obstruída. Em casos raros, o infarto pode acontecer por contração da artéria, interrompendo o fluxo de sangue ou por desprendimento de um coágulo originado dentro do coração e que se aloja no interior dos vasos. ​ Diga-se de passagem, o infarto do miocárdio é a principal causa de óbitos no mundo. Algumas pessoas não sentem a dor típica do infarto. Esse grupo é formado principalmente por mulheres, idosos, negros e pessoas com diabetes ou insuficiência cardíaca. Essas pessoas precisam ficar atentar aos sinais mais sutis e não hesitar para investigar qualquer suspeita.
 

O principal sintoma do infarto é dor ou desconforto na região peitoral, podendo irradiar para as costas, rosto, braço esquerdo e, raramente, o braço direito. Ardor no peito, muitas vezes confundido com azia, que pode ocorrer associado ou não à ingestão de alimentos. Dor no peito que se irradia pela mandíbula ou pelos ombros ou braços (mais frequentemente do lado esquerdo do corpo) A dor fixa no peito, pode variar de fraca a muito forte, ou sensação de compressão no peito que geralmente dura cerca de 30 minutos. Ocorrência de suor, falta de ar, náuseas, vômito, tontura e desfalecimento. Ansiedade, agitação e sensação de morte iminente. Mas o processo que leva a esse entupimento das artérias não acontece da noite para o dia. E um dos vilões muitas vezes nem é citado nas matérias: o diabetes! Milhares de brasileiros convivem com essa enfermidade, que causa estragos sérios em silêncio. O diabetes é um dos vários fatores de risco para doenças cardiovasculares, ao lado de hipertensão, colesterol e triglicérides elevados, tabagismo, sedentarismo etc. 
 

Em idosos, o principal sintoma pode ser a falta de ar. A dor também pode ser no abdome, semelhante a dor de uma gastrite ou esofagite de refluxo, mas é pouco frequente. Os principais fatores de risco para o infarto são o tabagismo, o colesterol em excesso, hipertensão (pressão alta), diabetes, obesidade, estresse e depressão. Os diabéticos têm de duas a quatro vezes mais chances de sofrer um infarto. Pacientes com familiares próximos (pais ou irmãos) com histórico de infarto também tem mais chance de desenvolver a doença.
 

Além da avaliação clínica dos sintomas, são feitos exames de eletrocardiograma, ecocardiogama e cateterismo. O “eletro” possibilita não somente detectar o ataque cardíaco, mas ajuda também a identificar o tipo específico de infarto, o que é primordial para o tratamento imediato.
 

O ideal é que o paciente seja atendido em até 90 minutos. Geralmente, ao constatar o infarto pelo eletrocardiograma, é dada uma aspirina ao paciente caso ele ainda não tenha tomado. Se a pessoa for alérgica ao medicamento, é administrada uma alternativa que obtém o mesmo efeito. São administrados outros medicamentos com funções diversas, como amenizar a ansiedade, diminuir a dor e ajudar o coração a trabalhar com menos esforço. ​O mais importante no tratamento do infarto é a desobstrução da artéria entupida. Existem duas formas de realizar esta desobstrução: angioplastia coronária (desobstrução mecânica) ou fibrinolíticos (desobstrução com medicamentos). No primeiro, um cateter-balão é inserido por meio de uma punção arterial (no punho ou virilha) e direcionado até o local do entupimento da artéria. 
 

Não bastasse tudo isso, durante a pandemia de Covid-19 as mortes por doença cardiovasculares tiveram aumento no Brasil! O receio de ir ao hospital e dificuldades no atendimento estão entre as razões para isso. Os avanços da medicina, aliados a um estilo de vida saudável e ao controle de outros fatores de risco, têm um enorme potencial no controle do infarto. Mesmo a vacinação da gripe se mostra benéfica para reduzir novos casos de infarto em estudo realizado na Dinamarca. Assim, mantenha um acompanhamento médico regular, ainda que por teleconsulta, e realize seus exames de rotina. O coração agradece!


*Este conteúdo é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.
 
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