23/10/2020 às 08h00min - Atualizada em 23/10/2020 às 08h00min

A vida quis assim...

CELSO MACHADO
Tem notícias que nem queríamos receber. Da mesma forma textos que nunca queríamos escrever. Mas não somos nós quem comandamos o destino. Pelo contrário ele é quem nos dirige. Perder um amigo especial, querido, diferenciado é algo dolorido, triste, que nos deixa perplexos, atônitos. Com um enorme vazio dentro do peito, uma dor no coração, um aperto na alma. É o sentimento em relação a partida tão rápida, inesperada, dessa figura incrível, dr. Edelweiss Teixeira.

O conheci há mais de 40 anos ainda nos tempos de faculdade. Convivi pontualmente com ele. Especialmente nos botecos, inclusive no saudoso espetinho do Pauleca, ali no começo da rua Machado de Assis.

Foi por seu intermédio que recebemos a notícia da doença complicada que nossa filha foi acometida. Também a recomendação das primeiras providencias. Felizmente ela superou tudo e hoje é uma benção em nossas vidas.

Nos últimos anos, por questões profissionais, estreitamos nossas relações. A partir daí, o pediatra que sempre admirei, que fazia jus ao enorme prestígio que tinha, o amigo de bons momentos e de muita atenção, me apresentou um lado que não conhecia: sua imensa, profunda, autêntica generosidade. Não somente do lado assistencial médico, mas da figura humana fascinante.

O que fizemos juntos neste curto, mas tão produtivo período em prol do reconhecimento de personagens marcantes, principalmente da medicina uberlandense, me orgulha muito. Chegava a me incomodar ele sempre creditar isso a mim quando, na verdade, eu era apenas o instrumento; ele sim o agente, o inspirador e o responsável por todo essas iniciativas. Quando fazia esse reconhecimento a ele, humildemente agradecia. 

Há 6 anos com o todo entusiasmo, dedicação, desenhava projetos para a celebração do cinquentenário da sua amada Unimed. Quem poderia imaginar que logo ele não vai estar fisicamente nela.

Por mais que tivesse um círculo tão grande de relacionamento, que sentisse o carinho de tanta gente, duvido que tivesse a real dimensão do que significava e significa para Uberlândia e todos nós.

Bem humorado, disposto, disponível, conversar com ele me fazia um bem enorme, além de receber verdadeiras aulas de sabedoria. Fica um nó na garganta, um vazio, uma lacuna. Se colegas estão sentindo isso, nem dá para imaginar o que está sofrendo sua família.

Edelweiss foi um excelente pediatra, um médico de primeira linha, mas foi insuperável em ser amigo, ser humano, generoso, colaborativo. A falta que ele fará não é aquela falta do que hoje você não tem, mas daquilo que você não vai ter mais. Porque pessoas como ele quando se vão, levam consigo aquele seu jeito único de ser.

Que bom que foi tê-lo conhecido, ter convivido com ele. Termos feitos belas iniciativas em conjunto. Guardar seu exemplo inspirador de uma pessoa do bem.

A vida quis assim e nos cabe aceitar.  Mas como é doído não ter mais sua companhia, sua parceria, sua força e estímulo. Peço a Deus na sua bondade que te receba com a mesma alegria e carinho que você sempre nos dedicou.


*Este conteúdo é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.
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