06/10/2020 às 09h00min - Atualizada em 06/10/2020 às 09h00min

A incógnita das urnas

EDSON PISTORI | ADVOGADO E DOUTOR EM GEOGRAFIA

O resultado que sairá das urnas em novembro poderá surpreender até os analistas mais atentos e marcará ainda mais 2020 como um ano totalmente imprevisível.

Se não houvesse a pandemia, o 1º turno das eleições municipais teria acontecido neste último domingo (4), no entanto, a alteração da data é o aspecto secundário diante dos demais impactos da Covid-19 no processo eleitoral.

Dentre as várias mudanças, a maior delas é a busca do voto sem o elemento do “corpo a corpo”, dos eventos com a aglomeração de apoiadores e do tradicional aperto de mão entre candidatos e eleitores. Até a própria dinâmica dos debates na TV foi alterada para prevenir o contágio e o candidato ir de máscara tornou-se tão importante quanto desmascarar o adversário.

Além disso, duas outras mudanças deverão impactar ainda mais. A primeira diz respeito a aplicação da nova legislação eleitoral nas disputas proporcionais, vedando as coligações entre partidos, cujo impacto imediato foi o aumento do número de candidatos. Outro fator é a possibilidade de o eleitor justificar a sua ausência nas eleições pela internet, o que poderá levar a uma queda no comparecimento com uma abstenção recorde.

Associado a isso, tem-se também as consequências da crise econômica e os altos níveis de desemprego, o que é uma porta aberta para uma mazela nacional: a compra e venda de votos. Em Uberlândia, o cenário é ainda mais incerto por conta da devassa ocorrida na Câmara Municipal. As renúncias e a cassações de mandatos tornaram inelegíveis algumas figuras que dominaram a política local por anos. Nas eleições de 2020, teremos 200 candidatos a vereador a mais do que em 2016.

Até agora são 869 postulantes a uma cadeira no legislativo municipal, mas esse número poderá reduzir após a validação de registros de candidaturas pela Justiça Eleitoral. A maioria dos candidatos e candidatas são estreantes nessas eleições, 714, enquanto 155 candidatos já tiveram sua foto na urna em 2016.

Os candidatos mais experientes obtiveram juntos 105.548 votos no pleito passado, representando um terço da votação em 2016.
A dança das cadeiras nos partidos também foi alta. Apenas 45 candidatos irão concorrer essas eleições pelos mesmos partidos em que disputaram em 2016. Na eleição passada, havia 30 partidos concorrendo, agora serão apenas 27. O PRB, PMN e PHS não apresentaram chapas de vereadores em 2020 e o PPL deixou de existir, pois se fundiu ao PCdoB.

Dos que saíram eleitos das urnas em 2016, 6 tentarão um novo mandato em 2020. Esses obtiveram juntos 7% dos votos válidos (23.032). Desse grupo, o candidato petista Silésio Miranda poderá vir a ter o registro da candidatura negado em virtude da cassação do seu mandato. Dos suplentes que assumiram a vaga depois da Operação Má Impressão, apenas 10 estão em busca da renovação do mandato. E três vereadores são candidatos ao Executivo: Adriano Zago, Edilson Gracioli e Thiago Fernandes.

Por todos esses elementos, podemos afirmar que não há favoritos em 2020 e, ao que tudo indica, a eleição para a Câmara Municipal de Uberlândia será a mais concorrida desde a redemocratização do país.

Já na disputa à sucessão da Prefeitura, o quadro é menos embolado dado o favoritismo à reeleição do atual prefeito. No entanto, a eleição tem um número expressivo de candidatos, sendo um total de 9 postulantes.

Confirmadas essas candidaturas, há uma grande chance de o desfecho ir ao 2º turno, especialmente se as candidaturas de Felipe Attiê e Thiago Fernandes subtraírem a base eleitoral do prefeito, cenário em que o opositor de Odelmo ainda está aberto e imprevisível.

*Este conteúdo é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.


 

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