18/08/2020 às 17h47min - Atualizada em 18/08/2020 às 17h47min

CONVERSA COM DONA DOMINGAS

ANTÔNIO PEREIRA
Conversei com dona Domingas Camin, em 1987, lá em Miraporanga. Dona Domingas, foi professora rural por muitos anos, fabricante de queijos, recuperadora de igrejas, líder comunitária.

Ela me contou que morou, fabricou queijos e lecionou no Quilombo (*) por dez anos. Depois mudou-se para Miraporanga.

“Quando eu cheguei aqui, em Miraporanga, essa igrejinha estava abandonada e a matriz também. Estavam em ruínas. Não tinha mais missa, nem, nada. Dom Almir, de vez em quando, vinha aqui celebrar uma missa na matriz de Nossa Senhora do Carmo. Estava muito estragada. Na igrejinha de Nossa Senhora das Neves, nem assoalho tinha mais. Dom Almir ficava na minha casa. Então, ele sugeriu que se demolisse a matriz e se construísse outra na beira da estrada. Na rua do Comércio. Era lugar de passagem obrigatória para as pessoas e o gado que ia para Uberaba. Fizemos a nova matriz. A inauguração foi no governo do Renato de Freitas.”

“Depois que eu acabei esta aqui, eu via com tristeza a outra que estava abandonada. Uma das alas já tinha caído, o telhado... tudo. Arranjei uns pedreiros desocupados e comecei o trabalho. Conseguia dinheiro com leilões. Enquanto havia dinheiro, o pessoal trabalhava. Antes de acabar, eu fazia novos leilões.”

“Quando o Zaire resolveu fazer a restauração, ela estava de novo muito estragada, mas estava assolhada e tinha teto. Não tinha mais nada caído. Estava em condições de receber os fiéis. Só tinha não muita frequência porque tinha muita abelha e a gente não dava conta delas. Algumas vezes, dom Almir celebrou missa lá. O que a prefeitura fez foi restaurar aquelas condições originais. A igrejinha era de Nossa Senhora das Neves, agora eles querem que seja Nossa Senhora do Rosário, mas o antigo nome era das Neves.”

Dona Domingas mostrou-me um exemplar do Correio de Uberlândia, de 13 de setembro de 1968 com um artigo de João Rodrigues da Silva Jr., bom memorialista, já falecido, com uma relação de capelas erigidas na região, entre 1809 e 1850, onde consta a construção da Capela de Santa Maria Maior, que é Nossa Senhora das Neves, em Santa Maria, que é Miraporanga.

“A igrejinha estava tão estragada que eu arrumava empregado e eles desanimavam. Eu ia todos os dias lá. Íamos pondo os esteios onde cabiam. Nunca desanimei. Tinha que ter dinheiro. Até que arranjei quem pegasse por empreito e fomos construindo devagar. Era o Nenê, residia aqui mesmo. Depois foi o João do Mato. Depois, pra assoalhar, veio o Pedro Izoldino. Caiu um dos esteios e eles demoraram muito pra tirar porque tinha uns dois metros de profundidade. Puseram outro, com emenda, está lá. Era difícil achar um pau como aquele. Muito alto. Tivemos que emendar.”
 
(*) – Essa região do Quilombo, nas proximidades do Cruzeiro dos Peixotos, tem esse nome porque muito antes da chegada dos pioneiros de São Pedro de Uberabinha por ali se instalou um Quilombo chamado “Quilombo da Grunga”.
 
ERREI: Na crônica UM NOME ESQUECIDO, cometi um engano. Pesquisando sobre literatura antiga em Uberlândia, soube que o sr. Ciro Avelino seria irmão do sr. José Avelino, jornalista que publicou dois romances no começo do século XIX. Só que não eram irmãos. Tudo o que está escrito é verdadeiro, só que os dois não eram irmãos. Desculpem.




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