14/08/2020 às 14h52min - Atualizada em 14/08/2020 às 14h52min

Fizemos o que pode!

CELSO MACHADO
De cara, começo com um baita erro gramatical, mas tenho uma explicação para isso.

E me parece que, por questões que estamos vivendo atualmente, vale a pena contá-la.

Lá pelos anos 70 fiz parte do Rotaract, clube de jovens mantido pelo Rotary Clube. Nossas reuniões eram nas tardes de sábado no majestoso Uberlândia Clube. Certa vez, antes que uma delas fosse iniciada, estava conversando com o presidente na época, o companheiro de tantos anos, Paulo Henrique Petri quando fomos saudados por um companheiro que havia ido até a convenção distrital do Rotary em Araxá nos representar. O Paulo indagou como tinha sido a apresentação do nosso clube e a resposta foi esta pérola: “fizemos o que pode!”.

A conversa parou nisso, pois além da agressão aos ouvidos, ficara claro a tristeza que deveria ter sido nossa representação.

Que lembre nunca mais ouvi essa triste e errônea colocação. Mas, infelizmente tenho percebido e o pior que é cada vez mais frequente, como tem gente que não sacrifica o vernáculo, mas age tristemente fazendo apenas aquilo que pode.

Quem faz simplesmente o que pode e não se esforça para fazer mais, não está fazendo de verdade, apenas ficando livre da incumbência.

E utiliza isso como desculpa para explicar a mediocridade de seu comportamento.

Quem se envolve com vontade, com real interesse, com dedicação sempre faz mais. E por consequência, também recebe mais.

Lamentável quando vemos pessoas negligenciando sua capacidade de ir além, de fazer melhor, de acrescentarem boa vontade nas suas atividades.

Gente que se apega em desculpas, não em vocação. Que foge da responsabilidade para se esconder na justificativa.

A vida oferece oportunidade igual para todos. Todo aquele que se diferencia seja em que atividade for, pode ter certeza, é porque fez mais. Fez bem feito porque buscou com intensidade fazer melhor. Não se acomodou, não negligenciou.

Não é mera questão de sorte, é de esforço. De sacrifício, empenho, cuidado e atenção.

Muito mais triste do que ouvir uma agressão gramatical como “fizemos o que pode” é constatar que tanta gente perde chance de fazer mais, para receber mais e se orgulhar mais do jeito como faz.




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